A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) completa 45 anos sem muitos motivos para comemorar. A entidade mais antiga no setor acompanha com desalento um declínio nos negócios internacionais brasileiros. A participação do país no mercado mundial está em queda desde 2011, quando chegou a 1,41%. Depois, foi para 1,33%, em 2012, ficou em 1,32%, em 2013, e acabou em 1,20%, no ano passado. Este ano, a AEB estima que deve recuar para 1,1%.
A corrente de comércio exterior, que registrou um volume de US$ 482 bilhões, em 2011, neste ano deverá ficar em US$ 400 bilhões. O país perde três posições no ranking mundial do comércio exterior e hoje é o 25º colocado. O potencial do Brasil, de acordo com a entidade, ainda esbarra na lentidão das medidas de correção, nos gargalos de infraestrutura e nas contradições da política econômica.
"O Brasil é o celeiro do planeta e tem um papel importante a desempenhar, mas temos que nos preparar internamente antes de conquistar o mundo. Se não realizarmos nada, vamos ter que rezar muito - e em mandarim- para atender a China, que é o maior comprador das nossas commodities", diz o presidente da AEB, José Augusto de Castro.
É com foco nos desafios do setor que a entidade promove dias 19 e 20 de agosto, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro, o 34º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), o maior fórum de exportação do país. Deve reunir 2.500 profissionais com atuação em toda a cadeia de negócios do comércio exterior.
O tema deste ano é a competitividade. Estão previstos painéis e workshops, despachos executivos, reuniões e exposições. O Enaex também terá uma reunião do Conselho de Comércio Exterior do Mercosul (Mercoex), formado pela AEB, Câmara de Exportadores da República Argentina (Cera), União de Exportadores do Uruguai (UEU) e Centro de Importadores do Paraguai (CIP). Em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) será entregue o 21º Prêmio Destaque de Comércio Exterior a empresas e instituições.
O 34º Enaex é também uma oportunidade de reavivar as esperanças nos negócios. Desde 2008, de acordo com dados da AEB, as exportações brasileiras de manufaturados, que têm maior valor agregado, não crescem. O diálogo com os países do Hemisfério Norte, em especial com os Estados Unidos, aponta a entidade, foi relegado a segundo plano. O mercado americano, que em 2002 recebia 25% das exportações do Brasil, agora só compra 9,5%.
"Escolhemos participar do bloco do Mercosul e só temos acordos bilaterais com Palestina, Israel e Egito, que têm participação insignificante no comércio exterior. Nosso relacionamento não tem a agressividade necessária ao mundo dos negócios", afirma Castro, da AEB.
A projeção da entidade para este ano coincide com as estimativas de outras associações e com as projeções oficiais. O país deve registrar o chamado superávit negativo, que ocorre não por conta do aumento das exportações, mas pela redução das importações. A taxa de câmbio melhorou o ambiente de negócios, mas só deve beneficiar as manufaturas. As commodities sofrem com a queda na cotação internacional. Os custos de produção ainda continuam elevados. O sistema tributário brasileiro é considerado antiexportador.
Apesar de todos os investimentos em infraestrutura, a logística continua a ser um problema para o setor. A competitividade do campo é anulada pelo custo do transporte. Dados da AEB apontam que para levar uma tonelada de soja do Mato Grosso ao Porto de Santos paga-se US$ 130, em comparação a US$ 30 por tonelada do Porto de Santos à China. A entidade aposta que as exportações vão ter queda acentuada apesar da maior competitividade dos preços com a desvalorização cambial por causa também dos problemas nas principais economias do mundo.
Fonte: Valor Econômico
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