Se não bastasse a crise enfrentada pelas indústrias mineiras de máquinas e equipamentos - cujo desaquecimento dos negócios nas áreas tradicionais de mineração e siderurgia tem ocasionado um rombo no faturamento das empresas que vêm aumentando consideravelmente o número de demissões nos últimos meses -, no setor de óleo e gás o problema é ainda mais grave, já que a inadimplência em relação aos contratos firmados com empreiteiras fornecedoras da Petrobras continua sem solução.
Em todo o País há empresas com dívidas milionárias a receber. Entre elas, algumas são mineiras ou têm atuação no Estado, como a Delp Engenharia, a Usiminas Mecânica e a Neuman & Esser. Porém, desde o início do ano, quando o problema foi divulgado, praticamente nada avançou. As informações são do diretor da regional da Associação Nacional das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) em Minas Gerais, Marcelo Luiz Veneroso.
Segundo ele, a entidade montou uma Sala de Crise em sua sede em São Paulo, onde estão sendo realizadas negociações entre a Petrobras, empreiteiras e as indústrias de bens de capital. "Houve pouco progresso desde então. Nosso sentimento é que as empreiteiras estão se arranjando como podem, muitas entraram com pedido de recuperação judicial ou fecharam acordos de longo prazo com a Petrobras. Mas em relação aos nossos débitos, praticamente nada foi acordado", afirmou.
No Brasil, segundo informações da Abimaq, mais de 400 empresas, de todos os portes, fornecem máquinas e equipamentos para a Petrobras de forma direta e indiretamente e pelo menos metade estaria sofrendo com atrasos nos pagamentos. Nos últimos números divulgados pela entidade, as dívidas já ultrapassavam R$ 200 milhões.
Incógnita - Veneroso, que também é diretor-geral da Neuman & Esser, revelou que sua empresa tem cerca de R$ 5 milhões a receber de contratos firmados com empreiteiras fornecedoras da Petrobras. "? provável que se consiga receber alguma coisa. Mas como, quando e os valores que serão pagos é uma incógnita", observou.
A inadimplência das EPCistas - grandes empresas que têm contrato com a Petrobras - com as companhias de bens de capital chega num dos piores momentos da história do setor, que amarga perdas de faturamento e deve fechar o ano em retração. No Vale do Aço, por exemplo, onde nos últimos anos as empresas do setor metalmecânico migraram para o segmento de óleo e gás e a indústria naval, a crise tem as obrigado a demitir pessoal.
Além das dívidas referentes a contratos já realizados, também houve cancelamento de pedidos, provocado pelos conhecidos problemas envolvendo a estatal petrolífera. Estimativas da regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) apontam que cerca 500 trabalhadores ligados apenas à produção de equipamentos destinados a esses segmentos foram demitidos nos últimos meses.
"O setor de óleo e gás era considerado promissor há alguns anos. Hoje, a situação é terrível. Está tudo parado. Não há pedidos em carteira e nem perspectivas de melhora. O mesmo acontece com mineração e siderurgia. Estamos sem visão nenhuma de futuro, isso é que é pior", lamentou Veneroso.
Fonte: Diário do Comércio
PUBLICIDADE