O Ministério Público Federal (MPF) devolveu ontem à Petrobras R$ 157 milhões desviados pelo ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco. A quantia, que era mantida na Suíça, foi recuperada pela Operação Lava-Jato por meio de acordo de delação premiada com o ex-gerente.
Durante cerimônia para celebrar o retorno do dinheiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mandou um recado para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que o acusou de investigá-lo por conta de uma "querela pessoal". Segundo Janot, as investigações estão sendo conduzidas de forma "absolutamente impessoal".
O retorno do dinheiro foi um dos compromissos firmados por Pedro Barusco em troca da promessa de redução da pena. A Petrobras ainda espera receber um montante quase dez vezes maior como consequência da operação.
Segundo o presidente da empresa, Aldemir Bendine, o objetivo é recuperar R$ 1,3 bilhão desviados dos cofres da estatal, além de valores referentes a danos morais. "O retorno do dinheiro demonstra que a Petrobras está no rumo certo para superar essa crise e voltar a ser fonte de orgulho e bons resultados para acionistas, servidores e para a sociedade brasileira", disse Bendine, que também participou da cerimônia ontem na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Paraná, a estatal já tem garantidos R$ 580 milhões para ressarcimento. O compromisso foi obtido por meio de 16 acordos de delação premiada. A devolução é feita aos poucos porque parte dos recursos está na forma de ativos, como imóveis, que precisam ser convertidos em dinheiro. Outra parte ainda será transformada em moeda nacional.
Além disso, mais R$ 500 milhões estão bloqueados judicialmente como consequência das denúncias já em curso. Nesse caso, para o dinheiro retornar ao caixa da Petrobras, é preciso aguardar a conclusão das ações judiciais. O motivo é que esse valor não está mencionado nos compromissos de devolução firmados nas delações premiadas.
Dallagnol celebrou o fato de que, em menos de um ano, as investigações da Lava-Jato identificaram pelo menos R$ 6 bilhões pagos como propina: "Não teve nada parecido na história em termos de investigação."
Durante a cerimônia, o procurador-geral da República reagiu a ataques recentes do presidente da Câmara, sem mencionar o nome de Eduardo Cunha: "O trabalho está sendo impessoalmente conduzido. Aqui não se busca o alvo de uma ou outra pessoa, o que se busca são o esclarecimentos dos fatos e a autoria necessária à persecução penal", declarou. Janot lembrou que a Operação Lava-Jato já soma 440 dias de investigação ostensiva. Dirigindo-se à equipe que conduz os trabalhos, falou que é preciso manter a calma e o foco em um momento "de pressão" como esse. E mencionou a música "Coração tranquilo", de Walter Franco: "Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo".
Fonte: Valor Econômico/Maíra Magro | De Brasília
PUBLICIDADE