Ontem, terça-feira (28), o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou que deve concluir em 40 dias o novo plano de negócios da estatal. Segundo ele, este é o maior desafio que a empresa tem pela frente. O presidente destacou que está em curso uma completa reorganização administrativa da empresa.
“Pretendemos trabalhar muito forte no ponto de vista da governança corporativa da empresa, na mitigação de riscos, para que possamos ter processos decisórios dentro da empresa com muito maior segurança e sem perder agilidade”, avaliou Bendine, durante audiência conjunta das comissões de Serviços de Infraestrutura e de Assuntos Econômicos do Senado.
A participação de Bendine na audiência pública ocorre uma semana após a divulgação do balanço auditado de 2014 da empresa, que detectou prejuízos de R$ 21,6 bilhões, sendo mais de R$ 6 bilhões somente com a corrupção. Com dívida líquida de R$ 282 bilhões, a Petrobras precisaria operar por cinco anos para quitar todos os seus débitos, de acordo com o balanço. O prazo está acima do ideal para a direção da empresa, que busca baixar para 2,5 anos.
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Bendine destacou que, depois que assumiu o comando da estatal, em fevereiro deste ano, venceu dois desafios como a apresentação de um balanço crível da companhia relativo a 2014 e a financiabilidade da estatal para este ano.
“Esse balanço, naturalmente, é fruto, produto e resultado, nos últimos anos, da coordenação do atual governo na Petrobras. Essa companhia esteve subordinada aos piores padrões de administração e gestão e aos instintos mais selvagens de dilapidação do patrimônio público brasileiro que foi construído ao longo de muitas décadas, inclusive com esforço dos muitos profissionais da Petrobras”, disse o vice-presidente da Comissão de Infraestrutura, Ricardo Ferraço (PMDB-ES).
O presidente da estatal afirmou, no entanto, que não pode garantir que não haverá mais problemas de corrupção na empresa e que a que corrupção existe em empresa pública, em sociedade de economia mista e em empresa privada.
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“O que tem que se ter dentro dessas companhias é um bom processo de governança, de compliance {cumprimento das normas reguladoras de determinado setor}, de mitigação de riscos, algo em que vamos apostar muito fortemente para que não ocorra”, acrescentou Bendine. Porém, “dizer que, com isso, definitivamente se afastam riscos de malfeitos dentro da companhia, é algo que a gente nunca vai poder atestar”, disse ele.
“Mas, com certeza, a gente vai mitigar, e muito, situações como as que a empresa vivenciou”, prosseguiu o executivo, ressaltando que haverá um investimento "muito forte" na tomada de decisões. Outra opinião de Bendine é que a corrupção na estatal não é culpa do Decreto e da Lei de Licitações ( lei 8.666), pois “O problema não está no marco regulatório dessas concorrências; o problema está na mitigação desses riscos e na forma adotada dentro do gerenciamento da empresa”.
Preço da gasolina é justo
Para Bendine, o preço da gasolina no Brasil está dentro da média do mercado mundial. "Nossa gasolina não é tão mais cara, quando comparada com unidades de dólar, ao do mercado em geral, como o europeu. Hoje, estamos em condição justa de colocação de preços de derivados e não temos perspectiva de volatilidade em relação a isso", disse.
O presidente da Petrobras acrescentou que, diferentemente do Brasil, que adota um modelo mais estável, os americanos operam num quadro volátil, com preços mudando constantemente nas bombas.
Ele também falou aos senadores sobre os prejuízos anunciados semana passada pela companhia. Ele atribuiu parte do prejuízo de R$ 21 bilhões à desvalorização cambial e à queda no preço do barril de petróleo.
Segundo Bendine, o barril chegou a US$ 114 em meados de 2014, caindo para menos de US$ 50 no fim do ano. Para 2015, a empresa trabalha com o barril na casa dos US$ 70 e com o dólar a R$ 3,30.
Fonte: Por iG São Paulo/Tribuna da Bahia/com informações da Agência Brasil
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