Receba notícias em seu email

MSC

Definição sobre 10% do FMM para navios militares esperada até agosto

Representantes da Marinha e da indústria naval esperam que, até agosto, o governo dê uma posição sobre a proposta de alocação de até 10% dos recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para construção e manutenção de navios militares. A proposta atualmente está na Casa Civil e pode virar medida provisória ou projeto de lei, porém a definição depende de decisões governamentais. O percentual da receita anual do fundo pode representar recursos, não reembolsáveis, na ordem de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões por ano. Com esse alento, a Marinha terá mais capacidade para executar manutenções em embarcações e construir novos navios, em especial algumas classes como navios-patrulha, hidroceanográficos, de pesquisa e polares.

O contra-almirante Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, diretor de gestão de programas da Marinha, destacou que o setor vive um momento importante com a expectativa de obtenção de recursos oriundos do FMM e da capitalização da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron). Ele acrescentou a importância de uma sequência de negócios para aumentar a segurança do mercado para investir no setor de Defesa. Petronio disse que investimentos regulares e perenes no mercado representam desenvolvimento da cadeia de suprimentos e geração de mão de obra.

O diretor acredita que as corvetas classe Tamandaré são uma oportunidade para a indústria entender na prática o que a Marinha pretende com esse projeto. “Temos consciência de que é mudança cultural na própria Marinha e junto ao mercado. Esse processo precisa ser iniciado. Estudamos o que se faz lá fora e precisamos discutir e customizar para realidade do Brasil”, disse o contra-almirante Petronio durante o 1º Seminário de Manutenção de Navios Militares, promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena) e pela Diretoria Industrial da Marinha (DIM).

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que a construção naval brasileira é demandante de mão de obras e recursos, o que requer atividade de longo prazo e política de Estado. O vice-presidente da Abimaq, Marcelo Campos, lembrou que o Brasil teve recentemente uma das maiores carteiras de projetos navais e offshore do mundo e que os estaleiros nacionais chegaram a empregar 85 mil trabalhadores e hoje empregam menos de 15 mil pessoas.

Ele disse que projetos como as corvetas e navios-patrulha vêm para suprir um hiato que a indústria vive nos últimos anos. “As demandas que a Marinha apresenta são salutares, positivas e devem acontecer baseadas em políticas de Estado. Não temos como pensar construção naval sem dar plano de longevidade”, analisou. O vice-presidente da Abimaq ressaltou que a arrecadação sem investimentos em novas embarcações impede a geração de empregos e o desenvolvimento da indústria de fornecedores.

Campos contou que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, viu a medida com bons olhos e adiantou que é esperada uma reunião entre o governo e representantes da indústria para tratar do tema, o que deve acontecer nas próximas duas semanas. O vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Agostinho Serafim, disse que está tentando junto ao governo aprovar o mais rápido possível essa medida que permitirá a realocação de recursos do FMM.

Para o presidente da Sobena, Luis de Mattos, o repasse do FMM para navios militares será uma medida legal, que acontece de forma semelhante em outros países. Ele explicou que muitas vezes esse dinheiro vai para um fundo e deixa de ser aplicado em melhorias para o setor. Ele defendeu que a indústria naval forte é positiva para a Marinha e vice-versa. “Essa medida da Marinha ter acesso a recursos do FMM está 20 anos atrasada”, afirmou.

Por Danilo Oliveira
(Da Redação)


PUBLICIDADE








Pesa

   ICN    Zmax Group    NN Logística
       

intermodal

 

 

Navalshore

 

  Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro   Assine Portos e Navios
       
       

© Portos e Navios. Todos os direitos reservados. Editora Quebra-Mar Ltda.
Rua Leandro Martins, 10/6º andar - Centro - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20080-070 - Tel. +55 21 2283-1407
Diretores - Marcos Godoy Perez e Rosângela Vieira