O desmantelamento de navios porta-contêineres registrou em 2025 seu nível mais baixo em duas décadas, de acordo com relatório divulgado pela Alphaliner, plataforma especializada em informações sobre construção naval. Segundo ela, no ano passado, apenas 12 navios, com capacidade total de 8.172 TEU, foram reciclados e três pequeno vendidos, mas ainda não desmantelados. A empresa avalia que o resultado reflete a força do mercado marítimo e a relutância dos armadores em aposentar embarcações antigas enquanto as taxas de frete e de afretamento se mantiverem altas.
A Alphaliner informou que os números de 2025 contrastam com os registrados em anos recentes, citando que, em 2024, foram recicladas embarcações com capacidades somadas de 95.607 TEUs e que o recorde foi alcançado em 2016, com 655.000 TEUs. De acordo com a análise da plataforma, "o mercado de contêineres aquecido, com alta demanda e taxas de afretamento sólidas ao longo do ano, explica em grande parte a relutância dos armadores em sucatear seus navios mais antigos".
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Ainda segundo ela, as poucas embarcações sucateadas no ano passado foram, em sua maioria, de pequeno porte, e 10 dos 12 navios desmantelados tinham capacidade inferior a 1.000 TEUs. O maior navio porta-contêineres vendido para reciclagem foi o Horizon Enterprise, com capacidade para 2.407 TEUs e construído em 1980 nos Estados Unidos. O menor foi o Zi Yu Lan, com capacidade para 286 TEUs, produzido na Alemanha em 1995. A idade média dos navios vendidos era de 30 anos, o mais velho tinha 45 anos e o mais novo, 20.
De acordo com a plataforma, em 2025 os preços de navios antigos apresentaram ligeira tendência de queda na Índia, mas em dezembro estavam entre 400 e 430 dólares por tonelada leve (TL), nível considerado alto. Na Turquia, os preços também caíram no primeiro semestre do ano, antes de se estabilizarem em torno de 270 a 290 dólares por tonelada.
Mas a expectativa da Alphaliner é de mudança do cenário em 2026, se as companhias de navegação voltarem em massa às rotas pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez. “Com a liberação substancial de capacidade e o efeito cascata gerado pelas distâncias mais curtas, as taxas de frete e afretamento poderão ficar sob pressão”, informa a empresa no relatório. Se esse contexto se confirmar, a Alphaliner prevê recuperação nas vendas de sucata em 2026, especialmente no segundo semestre.


















