DNV aponta que falta de clareza regulatória e sobre combustíveis alternativos dificulta a descarbonização do transporte marítimo até 2050.
A sociedade classificadora DNV voltou a destacar que a falta de clareza regulatória e de definição sobre combustíveis alternativos é hoje um dos principais entraves para acelerar a descarbonização do transporte marítimo global. Segundo a empresa, armadores e terminais enfrentam dificuldades para decidir investimentos em renovação de frota e infraestrutura sem regras mais estáveis sobre metas climáticas, mecanismos de precificação de carbono e padrões de combustível.
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Relatório recente da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), que cita estimativas da própria DNV, calcula que alcançar a descarbonização do setor até 2050 exigirá custos adicionais anuais entre US$ 8 bilhões e US$ 28 bilhões apenas na adaptação dos navios, além de investimentos de US$ 28 bilhões a US$ 90 bilhões por ano em produção, distribuição e infraestrutura de abastecimento de combustíveis neutros em carbono. As projeções indicam ainda que a substituição dos combustíveis atuais por opções de baixa ou zero emissão pode elevar em 70% a 100% os gastos anuais com bunker em relação aos níveis atuais.
No front regulatório, a Organização Marítima Internacional (IMO) aprovou em 2025 o pacote “IMO Net-zero Framework”, que estabelece um padrão global obrigatório de combustível para navios com arqueação bruta superior a 5 mil toneladas e cria um mecanismo de precificação de carbono baseado na intensidade de emissões por unidade de energia utilizada. As medidas, que devem ser formalmente adotadas até o fim de 2025 e entrar em vigor em 2027, incluem a criação do IMO Net-Zero Fund, destinado a recompensar embarcações de baixas emissões e apoiar investimentos em infraestrutura e tecnologia, especialmente em países em desenvolvimento.
A DNV avalia que combustíveis alternativos como biocombustíveis sustentáveis, hidrogênio, amônia e e-combustíveis terão papel central nesse processo, mas reforça que a escala necessária de produção ainda está distante: seu white paper mais recente sobre biocombustíveis indica que a produção global atual é de cerca de 11 milhões de toneladas de óleo equivalente, enquanto seriam necessários até 250 milhões de toneladas até 2050 para permitir a descarbonização plena do transporte marítimo, combinada com ganhos de eficiência energética.














