O Ministério Público Federal (MPF) pretende ajuizar ação civil por improbidade contra as empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato nas próximas duas semanas, disse ontem ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa que investiga o esquema de corrupção na Petrobras.
"Neste momento, minha preocupação é com o oferecimento das ações de improbidade administrativa contra as empreiteiras. É espelho do que oferecemos nas denúncias contra os empreiteiros", disse o procurador.
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Em dezembro, o MPF denunciou executivos de seis empreiteiras por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. A acusação de formação de cartel pelas empreiteiras deverá ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano.
O procurador diz que dezenas de executivos serão acusados por formar um "clube" de empresas.
O prazo de seis meses, diz Santos Lima, é longo porque considera eventuais atrasos decorrentes de novos fatos da investigação. "Se eu tiver uma nova colaboração, nova leniência, posso ter que botar muita gente para analisar esse novo fato e talvez eu tenha que atrasar outros. É um jogo de compensações porque a mão de obra não é tão grande assim", justifica.
Até agora foram assinados 11 acordos de colaboração e um de leniência na Operação Lava-Jato.
Os investigadores ainda esperam obter a colaboração de Fernando Soares, o "Fernando Baiano", acusado de ser lobista e operar para o PMDB na diretoria de Internacional da petrolífera.
Nos bastidores, os advogados dos executivos dizem que os réus estão sendo mantidos em prisão preventiva como parte de uma estratégia para forçá-los a aceitar acordo de delação premiada.
Santos Lima nega. Diz que, dos 11 colaboradores, apenas dois - o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa - estavam presos. "O único benefício que houve foi a prisão domiciliar para Paulo Roberto", afirma.
Fonte: Valor