Estaleiros chineses vêm assegurando novas encomendas de navios em segmentos de maior valor agregado, em linha com a estratégia de Pequim de empurrar a indústria naval para produtos mais sofisticados, como gaseiros, porta-contêineres de grande porte e embarcações com tecnologia “verde”.
Nos últimos meses, pacotes de contratos anunciados por estaleiros em cidades como Yangzhou e Xangai incluíram encomendas de navios de transporte de gás liquefeito (VLGCs) de 90 mil m³, porta-contêineres de até 18 mil TEUs e petroleiros do tipo Aframax, além de cargueiros de veículos e graneleiros de maior porte. Segundo dados da Clarksons citados pela imprensa chinesa, apenas o Estaleiro Jiangnan acumula 113 navios em carteira, somando 11,72 milhões de toneladas de porte bruto, incluindo embarcações de GNL, navios de etano, porta-contêineres e unidades de abastecimento de GNL, com entregas programadas até 2030.
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Esse movimento consolida a guinada da indústria naval da China em direção a navios de média e alta tecnologia, muitas vezes preparados para operar com combustíveis alternativos ou sistemas de propulsão de baixo carbono. Relatórios recentes indicam que, em alguns grandes grupos chineses de construção naval, os chamados “navios verdes” e projetos de maior complexidade já respondem por mais de 70% das novas encomendas, reforçando a intenção do país de disputar margens mais altas em segmentos como gás, contêiner e embarcações especializadas.
De acordo com dados do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, o país mantém liderança em produção, novas encomendas e carteira de pedidos da construção naval global, com participação superior a 50% em vários desses indicadores. Para armadores internacionais, a combinação de escala, capacidade tecnológica e foco em navios de maior valor consolida os estaleiros chineses como fornecedores centrais na renovação de frota voltada à transição energética e às principais rotas de comércio marítimo.













