Encomendas de motores a amônia para navios já somam 40 unidades no mercado global, segundo dados recentes da fabricante suíça WinGD, reforçando a aposta do setor marítimo nesse combustível de baixa emissão como alternativa para descarbonização.
De acordo com estudos do Fórum Marítimo Global, navios movidos a amônia tendem a se tornar comercialmente viáveis em médio prazo, especialmente em projetos apoiados por subsídios, o que vem estimulando armadores e estaleiros a antecipar pedidos de novos motores e conversões. A MAN Energy Solutions, por exemplo, estima começar a oferecer motores a amônia em escala comercial após 2027, com potencial de adaptação de 3 mil a 5 mil embarcações da frota atual.
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O avanço dessa tecnologia tem implicações diretas sobre a competitividade de portos e terminais que atendem rotas de longo curso, além de sinalizar novas demandas para a indústria naval e empresas de logística portuária. Empresas de navegação já investem bilhões de dólares em navios-tanque para transporte de amônia, antecipando uma futura cadeia de abastecimento.
No Brasil, esse movimento se conecta a uma agenda crescente de projetos de amônia verde: a Yara iniciou, em 2024, a produção de amônia renovável em sua unidade de Cubatão (SP), reduzindo significativamente a pegada de carbono de seus fertilizantes, enquanto estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul anunciam plantas de hidrogênio e amônia verde voltadas à exportação a partir de 2026, com investimentos estimados em bilhões de reais.
Embora a amônia não contenha carbono e permita redução significativa das emissões, a substância é tóxica e exige padrões elevados de segurança em terminais, sistemas de abastecimento e a bordo dos navios, o que deve pressionar reguladores, autoridades portuárias e armadores a acelerar normas específicas nos próximos anos.














