Nos últimos dias, o centenário Estaleiro Mauá – agora Eisa Petro Um – demitiu mil empregados e suspendeu o trabalho para os remanescentes 2.000. A explicação é que o proprietário, German Efromovich, não aceita receber os valores de cada parcela com atraso e sem reajustes provocados por alta inusitada nos preços de combustíveis, tarifas de energia elétrica e itens importados, estes influenciados pelo aumento do dólar nos últimos meses. Em crise, o sistema Petrobras resolveu cortar custos e não admite pagar reajustes – nem os razoáveis. No último navio lançado ao mar pelo Mauá, o Anita Garibaldi, não houve solenidade. A presidente Dilma esteve no pernambucano Atlântico Sul, mas nem ela nem o pessoal da Petrobras quis ouvir as queixas de German Efromovich, dono do Mauá-Eisa, ambos do Sinergy Group.
Os aditivos seriam legítimos e, se não o forem, a estatal tem de descartá-los tecnicamente, não ignorando liminarmente o pedido de reajuste. A imprensa cita sobrepreços ilegais em contratos de outras fontes, mas, no caso da construção de navios, especialmente para a Transpetro, há acréscimos provados. A Transpetro não está aceitando avaliar os pedidos. Talvez para mostrar honestidade pública, não concede aditivos, mesmo que a razão esteja na alta da energia elétrica e nos itens importados – ambos usados intensivamente pela construção naval.
Outra preocupação dos estaleiros é o destravamento dos créditos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), considerando que os agentes financeiros responsáveis pelo risco das operações, aumentaram o rigor das garantias a armadores e estaleiros. Isso requer decisão avaliação política. Banco do Brasil, BNDES e Caixa estão segurando novos contratos, mesmo com garantias de 130% do principal e ainda tendo em vista que o dinheiro não é deles, mas do Fundo de Marinha Mercante (FMM). Há comentários de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estaria por trás disso, para reter verbas do fundo criado em 1958 para engordar – ilegalmente – o caixa do Tesouro, com vistas a pagar juros. Com a taxa básica alta como está, o pagamento de juros é um saco sem fundos.
Fonte: Monitor Mercantil/Sergio Barreto Motta
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