A 20ª edição da Navalshore reunirá empresas de diferentes elos da cadeia naval e offshore, de estaleiros e sociedades classificadoras a fabricantes de sistemas de propulsão, automação, tintas, equipamentos de convés, comunicação e serviços especializados. A relação inclui fornecedores brasileiros e grupos internacionais, com destaque para companhias da China, Alemanha, Japão, Noruega, Suécia, Itália, Reino Unido, Países Baixos e Estados Unidos. Com patrocínio Master da Transpetro, a feira e conferência será realizada de 18 a 20 de agosto, no ExpoRio, no Rio de Janeiro.
A diversidade de segmentos acompanha a pauta de retomada da indústria naval brasileira, que envolve não apenas a construção de novas embarcações, mas a renovação de frotas, a integração da cadeia de navipeças, a modernização de ativos, a expansão dos serviços offshore e a incorporação de tecnologias de eficiência energética e descarbonização. A Conferência Navalshore 2026 programou debates sobre segurança jurídica, competitividade, cadeia de fornecedores, descomissionamento, transição energética e impactos climáticos sobre a navegação e a infraestrutura portuária.
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Propulsão, automação e eletrificação
O maior conjunto de expositores está concentrado em propulsão, motores, automação, eletrônica embarcada, geração de energia e conectividade. Entre as empresas relacionadas estão ABB, Kongsberg Maritime, Wärtsilä Brasil, Volvo Penta, Rolls-Royce Solutions Brasil, Schottel do Brasil, Voith, Vulkan, Reintjes do Brasil, Yanmar, Weichai Group, MWM, Böning Ship Automation, JRC, Radio Holland, Radiomar Eletrônica Naval, Marlink, Waypoint e WEG.
Esse segmento é relevante para um ciclo de recuperação baseado em maior conteúdo tecnológico embarcado. Sistemas de manobra, propulsão, controle, navegação, conectividade e monitoramento são componentes centrais tanto em embarcações novas quanto em projetos de retrofit, reparação e conversão.
A agenda de transição energética amplia a demanda por soluções de redução de consumo, integração de sistemas, eletrificação, digitalização e acompanhamento de emissões. A Siemens Energy, presente entre os expositores, atua com tecnologias voltadas à eletrificação de portos, integração de sistemas, automação e digitalização para aplicações marítimas; ABB, Teksea, Voith e Rolls-Royce Solutions Brasil também estão entre as empresas relacionadas a equipamentos elétricos, conversão de energia, propulsão e eficiência operacional. A Teksea desenvolve sistemas de energia crítica e automação para aplicações industriais, navais e offshore.
Estudo divulgado em julho de 2025 apontou que o Brasil ocupava a quarta posição mundial em produção científica sobre eletrificação de plataformas offshore. O levantamento também indicou participação ainda menos expressiva do país em áreas como captura e armazenamento de carbono e energia eólica offshore, temas que tendem a demandar desenvolvimento tecnológico e capacidade industrial ao longo dos próximos anos.
Estaleiros e construção naval
A retomada da capacidade de construção naval depende de uma cadeia de fornecedores com capacidade de entregar sistemas, equipamentos, serviços e assistência técnica em condições competitivas. A exposição reúne, ao mesmo tempo, fabricantes de propulsão, guinchos, cabrestantes, equipamentos elétricos, componentes mecânicos, filtros, cabos, tintas e soluções de automação.
Entre os participantes aparecem Estaleiro Atlântico Sul, Estaleiro Mauá, Dock Brasil, Rio Maguari, Belov, Inace, Estaleiros Victory, Estaleiro São Miguel e Indústria Naval Catarinense. A relação inclui ainda o argentino Astillero Contessi e o português Lisnave.
A integração dessa cadeia é um dos temas previstos para a Conferência Navalshore. No segundo dia, a programação inclui discussões sobre competitividade marítima, os efeitos do Renaval e da reforma tributária, além de um painel voltado especificamente à integração da cadeia de navipeças no novo ciclo da indústria naval.
Navipeças e equipamentos de convés
O fortalecimento da cadeia de navipeças é apontado como uma das condições para reduzir dependências de importação, melhorar os prazos de entrega e ampliar a capacidade de manutenção e reposição no país. Mais do que fornecer itens para navios novos, essa base industrial atende embarcações em operação, projetos de modernização e demandas de pós-venda.
A lista de expositores inclui fornecedores de equipamentos de convés, movimentação de cargas, vedação, filtragem e componentes industriais. Entre eles estão Strauhs Equipamentos, RUD Correntes Industriais, Rimac, TTR Brasil Logística/Ra In Ho Group, Shanghai Suijin Lifting Group, Teknofil, Roxtec, Wiska, Metaparts, EPS, Separi Equipamentos Industriais e Soldor Tecnologia em Soldas.
Classificação, certificação e segurança
As sociedades classificadoras e certificadoras também estarão representadas por ABS — American Bureau of Shipping, Bureau Veritas, DNV e Rina Brasil Serviços Técnicos. Essas companhias atuam na avaliação de projetos, equipamentos e operações, segundo requisitos técnicos e regulatórios aplicáveis à construção, reparação, conversão e operação de embarcações.
A cadeia de segurança operacional aparece ainda em empresas como Soluções Contra Incêndio FC Villela, Industrial Scientific, Seanutri & Sealab e fornecedores de comunicação e navegação. Ainda que atuem em frentes distintas, essas empresas estão relacionadas a exigências de segurança, integridade de ativos, saúde ocupacional e comunicação em ambientes marítimos e offshore.
Offshore e descomissionamento
Empresas de engenharia, inspeção, manutenção, logística, equipamentos submarinos e serviços técnicos compõem outro bloco relevante na exposição. A lista reúne, entre outras, Belov, Exail, Ghenova, Fluhmcon Engenharia Naval, DMC, Droid Marine, RCMS Marine Brasil, Shandong Future Robot, Qingzhou Yongli Mining and Dredging Machinery e Shandong Julong Intel-Tech.
O descomissionamento de sistemas offshore é uma das frentes que podem mobilizar estaleiros, empresas de engenharia, fornecedores submarinos, serviços de içamento, logística, reparação e destinação de materiais. Estimativa divulgada pelo Sinaval em outubro de 2024, com base em dados do setor, apontava investimentos de cerca de R$ 64,4 bilhões em descomissionamento de plataformas no Brasil até 2028. A Petrobras projetava, então, US$ 11 bilhões para a atividade nos cinco anos seguintes, incluindo recursos para fechamento de poços e retirada de equipamentos submarinos.
A presença de equipamentos como ROVs, soluções de dragagem, componentes de propulsão, equipamentos de içamento, revestimentos e serviços de reparação não significa que todos os expositores atuem em descomissionamento. Ela indica, porém, que a feira reúne competências industriais potencialmente aplicáveis a diferentes etapas dessa cadeia.
Tintas, corrosão e bioincrustação
PPG, Jotun, International Paint, Grupo LGE, Rezzolut Soluções Anticorrosivas e Rio Engenharia integram o segmento de tintas, revestimentos e proteção de superfícies. Em ambiente marítimo e offshore, essas soluções estão ligadas à preservação de ativos, à manutenção de cascos, tubulações e estruturas metálicas, à redução de corrosão e ao desempenho operacional. A Rezzolut atua com soluções de proteção e manutenção industrial, incluindo aplicações nos mercados offshore, óleo e gás e petroquímico.
O segmento dialoga com a agenda de eficiência energética. Revestimentos anticorrosivos e anti-incrustantes podem contribuir para manter o desempenho hidrodinâmico dos navios e reduzir perdas associadas à bioincrustação. A Navalshore prevê, em 19 de agosto, workshop do Cluster Tecnológico Naval dedicado ao tema, aproximando a oferta comercial de uma discussão técnica sobre manutenção, consumo de combustível e disponibilidade de embarcações.
Fornecedores chineses ampliam presença
A relação de expositores mostra presença significativa de fabricantes chineses, concentrados em cabos, correntes, defensas, sistemas de propulsão, equipamentos de içamento, dragagem, logística e componentes marítimos. Entre os nomes estão Aguas Lindas — Anchor Chain Manufacture Factory, Zhejiang Shuangniao Anchor Chain, Zhejiang Hailun Rope&Net, Yangzhou Shenlong Rope, Ningbo Nybon Machinery, Nantong Honghai Crane, Shanghai Suijin Lifting Group, Qingzhou Yongli Mining and Dredging Machinery, Shandong Julong Intel-Tech, Shandong Future Robot, Gosea Marine e Thrustleader Marine Power System.
O grupo inclui fabricantes de correntes de âncora, cabos de amarração, defensas, guindastes, dragas, veículos operados remotamente e sistemas de propulsão. A presença desses fornecedores reforça a dimensão internacional da oferta de equipamentos e insumos para a indústria marítima.
Além da China, a relação inclui companhias europeias e asiáticas de automação, engenharia, propulsão, isolamento, classificação, comunicação e equipamentos marítimos, além de grupos globais com operação local no Brasil. O ambiente reúne condições para estimular acordos de representação, parcerias tecnológicas, nacionalização de componentes e a estruturação de serviços de assistência técnica.
Destaques da Navalshore
• 170 estandes
• 36 expositores internacionais
• Mais de 700 marcas nacionais e internacionais
• 37 palestras na Conferência oficial
• 23 palestras no Ciclo de Palestras
• 12 palestras organizadas pelo Cluster Tecnológico Naval
• Rede de Oportunidades para Fornecedores, organizada por Sesi/Firjan, com agendamento entre fornecedores e as empresas-âncora Marinha do Brasil, Transpetro e os estaleiros Mauá e Hanwha Ocean
• Rodadas de Investimento Invest in Brasil, que conectam investidores internacionais a empresas brasileiras, organizadas por ABEEMAR e ApexBrasil
Serviço
Organização: Navalshore Organização de Eventos
Data: 18 a 20 de agosto
Local: ExpoRio, Rio de Janeiro, das 13h às 20h
Website: navalshore.com.br
Credenciamento: inscricaoeletronica.app.br/navalshore2026/inscricao
















