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Queda de braço na indústria

Abimaq avalia que setor de máquinas da área naval vive situação delicada; Petrobras discorda - O setor de máquinas voltadas às áreas naval e offshore vive uma situação delicada. A declaração é do presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais e Offshore (CSEN) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Cesar Prata. Segundo ele, enquanto a Petrobras divulga resultados satisfatórios de conteúdo local, a indústria nacional de equipamentos está passando por maus momentos.
— Havia uma promessa do governo de desenvolvermos a indústria às custas do petróleo, mas  está ocorrendo justamente o contrário — lamenta Prata. Por isso, o executivo, juntamente com o presidente da Abimaq, se reuniu em outubro com representantes dos Ministérios das Minas e Energia (MME), do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para relatar os entraves, sugerir possíveis soluções e a gravidade da situação da cadeia de fornecedores. Segundo Prata, os membros do governo receberam as informações com muita atenção, preocupação e se mostraram sensíveis e notadamente surpresos com a situação relatada pela Abimaq.
— No MME nos disseram que os dados que chegam a eles mostram inclusive haver uma boa participação da indústria nacional nos projetos do setor. Prometeram avaliar, convocar novas reuniões, em princípio, para logo após o leilão do campo de Libra e criar comitês e grupos de trabalho, sem datas estabelecidas. O ministério também se propôs preliminarmente a se reunir com a Abimaq e convidar a ANP, a Petrobras e o MDIC para discutir o tema — diz Prata.
Segundo o dirigente, enquanto a Petrobras tem divulgado números “invejáveis” de resultados de conteúdo local alcançados em seus projetos, as fornecedoras brasileiras da cadeia de petróleo estão demitindo pessoal em larga escala. “Há uma sensação de que a temida maldição do petróleo possa ter se instalado sem ter sido notada pelo governo e não vemos retorno fácil no horizonte. Quando há uma descontinuidade deste porte no setor, as coisas não se recuperam sem deixar danos. Isto indica que os anos de 2014 e 2015 poderão ser ainda piores ou fatais para as indústrias que agora já agonizam”, avisa.
Nas indústrias pesadas, continua Prata, não há novas encomendas há cerca de dois anos. Os contratos têm sido perdidos para fornecedores estrangeiros e itens clássicos como colunas de destilação, reatores, fornos e caldeiras parecem ser atividades “em extinção”. Ele diz ainda que em vez de o petróleo ser usado para desenvolver a cadeia produtiva, a indústria e o país, o recurso está sendo leiloado e as fábricas brasileiras estão sendo reduzidas.
— Somos [a indústria nacional] os maiores clientes da Petrobras, mas na hora de se autossuprir de bens, ela parece não levar isto em conta. Representamos cerca de um terço do aço consumido no país. Se estivéssemos utilizando parte da nossa capacidade ociosa, não haveria alto-forno apagado em nosso parque siderúrgico — reclama. Entre as consequências mencionadas pelos fabricantes por conta da situação estão demissão acelerada, redução do tamanho da produção, cancelamento de investimentos no Brasil, afastamento de investidores estrangeiros, redução do valor de mercado.
No mês passado, a Abimaq enviou um questionário para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos para navios, plataformas e refinarias para saber as opiniões dos fornecedores sobre o mercado. Uma das perguntas era sobre a Petrobras. Segundo a entidade, entre as respostas havia menção a falta de pagamento pela estatal há mais de dois anos e obras paradas por falta de verbas.
Os fornecedores também alegaram, segundo a Abimaq, que não é vantajoso fabricar itens no Brasil já que a Petrobras tem importado os equipamentos. Outro fornecedor comentou que os EPCistas compram equipamentos pelo chamado ‘dólar contrato’, que não corresponde ao câmbio no momento da compra, eliminando as pequenas vantagens cambiais que os nacionais teriam. “Perdemos encomendas por conta do ‘dólar contrato’ fixado em US$ 1,72, quando no dia a cotação estava em US$ 2,35. Alguém vai pagar esta diferença”, diz um dos entrevistados da pesquisa da Abimaq.
O não pagamento dos contratantes do setor também é uma das reclamações. Segundo a pesquisa da Abimaq, tem havido atrasos de liberação de verbas ou rigor técnico e jurídico excessivo da contratante final para protelar os pagamentos. Por conta disso, empresas teriam falido ou estariam em recuperação. “Estão em situações muito diferentes. Não nos cabe julgar a real condição de cada uma. No entanto, sob o ponto de vista dos fabricantes, todas têm em comum os cancelamentos de encomendas ou quebra de contratos junto à cadeia fornecedora”, conclui Prata.

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