América do Sul concentra US$ 6 bilhões, com destaque para Brasil e Guiana. Grupo, que opera estaleiros em SC, RJ e ES, registrou lucro de US$ 290 milhões no semestre e tem no radar oportunidades nas áreas de O&G, eólicas offshore e conversões
A Seatrium registrou lucro líquido de S$ 373 milhões, o equivalente a US$ 290,6 milhões, no primeiro semestre, ante 144 milhões de dólares singapurianos (US$ 112 milhões) no mesmo período de 2025. Excluindo os ganhos com desinvestimentos, o lucro líquido cresceu 54% em relação ao ano anterior, chegando a S$ 212 milhões (US$ 165 milhões), refletindo a melhoria na qualidade dos lucros e da alavancagem operacional do grupo, que mira novas oportunidades em um pipeline global superior a S$ 32 bilhões (US$ 25 bilhões) nos próximos 24 meses.
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A estratégia é converter oportunidades do pipeline em novos contratos para ampliar sua carteira de projetos, priorizando aqueles de maior qualidade para clientes de classe mundial. Esse potencial no radar está diversificado entre projetos das áreas de petróleo e gás (aproximadamente S$ 21 bilhões), energia eólica offshore (aproximadamente S$ 9 bilhões) e conversões (aproximadamente S$ 2 bilhões). Convertendo em dólares dos EUA, respetivamente, US$ 16,4 bilhões, US$ 7 bilhões e US$ 1,6 bilhão.
Com sede e listada em Singapura, a Seatrium atua em 15 países, dentre eles o Brasil onde está há mais de 20 anos. O portfólio abrange sistemas essenciais de energia offshore para novas construções e conversões em petróleo e gás; energia eólica offshore; e reparos e modernizações.
Na América do Sul, a empresa mapeou S$ 8 bilhões (US$ 6,2 bilhões) em oportunidades, com foco em Brasil e Guiana, para os próximos 24 meses, incluindo novos FPSOs, fabricação de módulos e integração. O montante equivale a 25% do pipeline global da empresa. A Seatrium verifica avanço em seis FPSOs da Petrobras: P-78, que alcançou o primeiro gás no campo de Búzios; P-80; P-82; P-83; P-84; e P-85.
A empresa destacou que os projetos em andamento permanecem, em sua maioria, dentro do cronograma, incluindo megaprojetos como os FPSOs P-80 e P-82 para a Petrobras e a unidade flutuante Shell Sparta FPU1 (Floating Production Unit), com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026.
A carteira líquida de projetos da Seatrium, em 30 de junho de 2026, totalizava S$ 13,3 bilhões (US$ 10,4 bilhões), composta por 24 projetos com entregas previstas até 2033. Com a conclusão de três projetos até o momento, a participação de projetos legados não-FPSO, de menor margem, caiu para cerca de 1% da carteira líquida. Mais de 95% da carteira é composta por projetos Series Build, que proporcionam maior previsibilidade e segurança na execução, além de eficiência.
Resultados
A receita da Seatrium cresceu 4,7% nos seis primeiros meses do ano, atingindo S$ 5,6 bilhões (US$ 4,4 bilhões), ante S$ 5,4 bilhões no primeiro semestre do ano passado, sustentada pela execução consistente da robusta carteira de contratos do grupo. A margem bruta aumentou para 8,6%, frente a 7,4% de janeiro a junho de 2025. Os principais impulsionadores da margem incluem uma crescente participação de projetos com margens mais elevadas e a redução dos custos indiretos (overheads) devido ao aumento da produtividade, desinvestimentos estratégicos e à contínua disciplina na gestão de custos. O Ebitda do primeiro semestre de 2026, excluindo ganhos com desinvestimentos, aumentou 20%, chegando a S$ 479 milhões (US$ 373 milhões).
“Em um ambiente macroeconômico cada vez mais volátil, a execução disciplinada e a eficiência de margem são fundamentais para a resiliência dos lucros no longo prazo. Nosso foco na otimização estrutural de custos gerou valor e já começou a produzir resultados concretos”, analisou o CEO da Seatrium, Chris Ong.
Atualmente, o segmento de Reparos e Modernizações (Repairs & Upgrades) continua proporcionando base resiliente de resultados recorrentes e capturando oportunidades crescentes em segmentos de alto valor agregado, incluindo navios transportadores de Gás Natural Liquefeito (LNGC), unidades FSRU, navios de cruzeiro, embarcações navais e usinas flutuantes de energia (powerships), entre outras embarcações.
A Seatrium destacou que o Brasil continua sendo o mercado âncora para FPSOs em águas profundas, apoiado por custos de equilíbrio significativamente inferiores aos atuais preços do petróleo. Em paralelo, a demanda por novas construções, conversões e modernizações cresce na Guiana, África Ocidental e Sudeste Asiático.
No Brasil, a Seatrium possui três estaleiros localizados em Angra dos Reis (RJ), Aracruz (ES) e Navegantes (SC), que contribuem para o cumprimento das exigências de conteúdo local. A empresa avalia que está bem posicionada para competir em toda a cadeia de valor dos FPSOs, incluindo futuras licitações no Brasil com escopo EPCC (Engineering, Procurement, Construction and Commissioning) completo semelhante ao dos seis projetos da série ‘P’ atualmente em sua carteira.
O grupo identifica que a restrição na oferta global de Gás Natural Liquefeito (GNL), combinada com a crescente prioridade dada à segurança energética e à diversificação do abastecimento, vem impulsionando a demanda por unidades FLNG (Floating Liquefied Natural Gas) e FSRUs como alternativas flexíveis e de rápida implementação em comparação à infraestrutura convencional.
Aproveitando o portfólio e a entrega de duas conversões operacionais de LNGC para FLNG e mais de 90% das conversões globais de FSRU/FSU, a Seatrium conquistou um novo contrato de conversão de FSRU no primeiro semestre de 2026. Juntamente com seu projeto proprietário FLNG-X, a empresa se considera forte para capturar a próxima onda de oportunidades em conversões e novas construções voltadas ao mercado de gás.
Eólica Offshore
A Seatrium também aposta em toda a cadeia de valor da energia eólica offshore, oferecendo soluções integradas do mar à rede elétrica, que abrangem subestações offshore, embarcações de grande capacidade de içamento, navios de instalação de turbinas eólicas e fundações flutuantes para parques eólicos.
O grupo considera estar bem posicionado para aproveitar oportunidades de crescimento nos principais mercados globais de energia eólica offshore. Embora o ritmo das decisões finais de investimento (FIDs) possa ser mais moderadas no curto prazo, a leitura é que a demanda de longo prazo é sustentada por programas de modernização e expansão das redes elétricas na Europa e por metas ambiciosas de energia renovável na região Ásia-Pacífico, reforçando o pipeline de projetos de infraestrutura para energia eólica offshore.
A expectativa da Seatrium é que os principais fatores que impulsionaram as margens no primeiro semestre de 2026 devem se manter ao longo de todo o ano, proporcionando melhorias progressivas nas margens. Além dos ganhos pontuais provenientes de desinvestimentos, o grupo espera que seu lucro líquido no exercício fiscal de 2026 seja significativamente superior ao registrado no ano passado.
O CEO considera que o pipeline global de oportunidades continua robusto e que o grupo está envolvido em todos os principais mercados de energia, esperando que o ritmo das FIDs acelere nos próximos trimestres. “Permanecemos firmes em nossas prioridades estratégicas e estamos no caminho para alcançar nossas metas de estado estável para o ano fiscal de 2028, o que deverá aumentar o retorno total aos acionistas”, concluiu Ong.













