O Barômetro Starfish 2026, publicado nesta segunda-feira (8), Dia Mundial dos Oceanos, indica que a degradação dos oceanos avança mais rápido do que a capacidade de resposta de governos, mercados e instituições, elevando riscos ambientais, econômicos e sociais em escala global, inclusive para o sistema portuário brasileiro.
Elaborado por 29 especialistas de 14 países e divulgado na revista científica State of the Planet, o Barômetro compila dados recentes sobre aquecimento dos oceanos, elevação do nível do mar, perda de biodiversidade, poluição e governança oceânica, mostrando que a maior parte dos indicadores ambientais segue em trajetória de deterioração. Entre os resultados, a taxa média de elevação do nível do mar atingiu 4,2 milímetros por ano entre 2012 e 2025, enquanto ondas de calor marinhas severas afetaram 20% da superfície oceânica global em junho de 2025, expondo 84,4% dos recifes de coral a níveis de estresse capazes de provocar branqueamento em larga escala.
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O Barômetro Starfish é um boletim científico anual que faz um “raio?X” da saúde dos oceanos, reunindo dados globais sobre estado do mar, pressões humanas e impactos sociais. Ele é coordenado por um comitê internacional de especialistas e apresentado na revista State of the Planet como ferramenta de apoio a políticas públicas e decisões econômicas ligadas ao oceano.
O estudo aponta que cerca de um quarto dos primeiros mil metros da coluna d’água dos oceanos já está submetido a múltiplas pressões simultâneas, combinando aquecimento, acidificação, perda de oxigênio e outras alterações associadas às mudanças climáticas. As emissões globais de dióxido de carbono chegaram a 38,1 bilhões de toneladas em 2025, enquanto a poluição plástica já soma aproximadamente 130 milhões de toneladas acumuladas nos mares, com milhões de toneladas adicionais entrando anualmente – um quadro que impacta rotas de navegação, cadeias logísticas e a segurança de comunidades costeiras em regiões exportadoras da América Latina, incluindo os principais corredores de grãos, minério e combustíveis do Brasil.
No campo econômico, o Barômetro registra que tempestades e inundações provocaram prejuízos estimados em US$ 212 bilhões em 2024, quase o dobro do observado em 2023, afetando infraestrutura portuária, operações de terminais, seguros marítimos e a continuidade do comércio exterior. O relatório lembra que mais de 80% do comércio mundial em volume é transportado por via marítima e que setores baseados nos oceanos movimentam cerca de US$ 2,5 trilhões por ano, o que torna a estabilidade do ambiente marinho um fator crítico para armadores, operadores de terminais e gestores de portos em diferentes regiões do globo.
Apesar do cenário de deterioração, a edição de 2026 destaca avanços institucionais, como a entrada em vigor de dois acordos internacionais, entre eles o Tratado do Alto-Mar (BBNJ), e o fato de as áreas marinhas protegidas terem ultrapassado 10% da superfície oceânica global. O Barômetro identifica mais de 40 fundos dedicados à economia oceânica e mais de 2.000 startups voltadas à inovação marinha, mas ressalta que apenas 3,2% do oceano é classificado como altamente ou totalmente protegido. O relatório também chama atenção para o enfraquecimento de sistemas de observação oceânica – com retração em redes de bóias ancoradas e medições por embarcações desde a pandemia – e defende que essa infraestrutura seja tratada como estratégica para a resiliência climática, a redução de riscos de desastres e o planejamento de longo prazo de governos e agentes econômicos, incluindo o setor portuário e marítimo.














