A Autoridade do Canal de Suez (SCA) deve aplicar, a partir da metade de julho, novos aumentos nas tarifas de trânsito cobradas de navios que utilizam a via egípcia, retomando o movimento de reajustes em um cenário de tráfego ainda abaixo do normal devido às tensões no Mar Vermelho.
Nos últimos dois anos, a SCA alternou entre elevações de até 15% nos direitos de passagem para a maior parte dos tipos de embarcação e períodos de descontos temporários para grandes porta-contêineres, numa tentativa de compensar a queda de tráfego provocada por ataques à navegação na região e pelo desvio de rotas pelo Cabo da Boa Esperança. Em fevereiro de 2025, por exemplo, a autoridade egípcia confirmou aumentos entre 5% e 15% para petroleiros, gaseiros, porta-contêineres, navios de passageiros e graneleiros, com exceções pontuais para serviços específicos entre o noroeste europeu e a Ásia.
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Mais recentemente, em abril de 2026, a SCA suspendeu o desconto de 15% que vinha sendo aplicado a megavessels de contêineres com arqueação líquida a partir de 130 mil toneladas, devolvendo esses navios à tabela cheia de pedágios e sinalizando que a prioridade voltou a ser a recomposição de receitas. A decisão ocorre em um momento em que armadores de longo curso ainda avaliam riscos operacionais no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, o que mantém parte da frota em rotas alternativas mais longas, com impactos sobre consumo de combustível, disponibilidade de navios e oferta de capacidade em serviços Ásia–Europa e Ásia–costa leste da América do Sul.
Para operadores brasileiros de contêineres e granéis que utilizam o eixo Ásia–Mediterrâneo–Atlântico, novos aumentos de tarifas no Canal de Suez tendem a pressionar custos logísticos em cadeias como siderurgia, fertilizantes, produtos químicos e cargas de alto valor agregado, além de influenciar a formação de fretes em serviços que conectam portos como Santos, Paranaguá e Itapoá a hubs no Oriente Médio e no Extremo Oriente.














