Levantamento divulgado pela plataforma internacional especializada em transporte marítimo Alphaliner revela que as taxas de leilão para transitar pelo Canal do Panamá atingiram recentemente níveis recordes devido ao fechamento do Estreito de Ormuz e à consequente busca por novas fontes de fornecimento de petróleo e gás, principalmente por compradores na Ásia. A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) informou que, por causa do aumento da demanda para cruzar o canal, embarcações pagaram recentemente mais de 1 milhão de dólares em leilão para transitar pela hidrovia.
A consultoria destacou que o conflito no Oriente Médio alterou significativamente os fluxos tradicionais de petróleo, com aproximadamente metade das exportações da região sendo redirecionadas. Isso aumentou o comércio de petróleo bruto entre os Estados Unidos e a Ásia com trânsito pela rota do Canal do Panamá.
Antes do conflito no Oriente Médio, os preços médios dos leilões, por passagem, variavam de 135 mil dólares a 140 mil dólares. Mas, segundo a consultoria, essa média, em março e abril, passou para aproximadamente 385 mil dólares e foi mais alta ainda nas eclusas originais do canal, chegando a 837 mil dólares e registrando o valor máximo de quatro milhões de dólares pagos para a travessia de um navio-tanque de GNL.
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Segundo a plataforma, no segmento de navios porta-contêineres, a maioria das companhias de navegação tem garantido as travessias por meio do sistema de reservas do canal, mas alguns navios com necessidade de disponibilidade imediata ou atrasados podem ser obrigados a recorrer ao sistema de leilão. Nele, a Autoridade do Canal do Panamá oferece atualmente de três a cinco vagas por dia para embarcações sem reservas prévias.
O aumento da demanda se reflete também nos volumes de trânsito. Entre outubro de 2025 e março de 2026, o Canal do Panamá registrou um total de 6.288 trânsitos, representando aumento de 224 passagens em relação ao ano anterior. Além disso, em termos de tonelagem, o Sistema Universal de Medição da autoridade portuário registrou alta de 5%, atingindo 254 milhões de toneladas.
A atividade impulsionada por navios porta-contêineres e navios de transporte de GLP foi particularmente intensa recentemente, com médias diárias de 34 embarcações em janeiro e 37 em março, enquanto em dias de pico em abril ultrapassaram 40 trânsitos. No segmento, as travessias pelas eclusas antigas aumentaram 9% em março em comparação com o ano anterior, enquanto as travessias pelas eclusas Neopanamax aumentaram 58%.
Apesar do aumento dos custos de trânsito, as companhias de navegação não introduziram novas sobretaxas específicas para o uso do canal em 2026. Algumas medidas adotadas em 2025 devido à seca permanecem, no entanto, em vigor. Nesse cenário, de acordo com a Alphaliner, “os custos mais elevados recentes podem estar sendo absorvidos por outras sobretaxas introduzidas este ano, incluindo aquelas relacionadas a interrupções por conflitos e combustível”.















