Em 25 de maio de 2023, o primeiro porta-contentores fluvial movido a hidrogênio, o H2 Barge 1, zarpou de Roterdã, na Holanda. Adaptado pelo Holland Shipyards Group em Werkendam, o navio hidroelétrico agora transporta contêineres para a Nike entre o Porto de Roterdã, o Porto de Antuérpia e o centro de distribuição em Meerhout. Como embarcação de emissão zero, as únicas substâncias que emite são ar úmido e água.
Essa iniciativa faz parte de esforços mais amplos da Future Proof Shipping (FPS) e de vários projetos europeus voltados para a promoção de soluções de transporte com emissão zero para vias navegáveis interiores. Ela sinaliza mudança em direção a operações marítimas mais limpas, embora a indústria naval, assim como a aviação, continue sendo um dos setores mais desafiadores para a descarbonização.
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O setor, responsável por cerca de 3% das emissões globais de CO₂, depende fortemente de combustíveis fósseis devido a sua enorme demanda energética e longo alcance operacional. Mas, diferentemente da aviação, os navios têm mais espaço para armazenar combustível, o que faz com que a baixa densidade energética volumétrica do hidrogênio represente obstáculo menor a sua adoção.
Após o lançamento da H2 Barge 1, um segundo protótipo, a H2 Barge 2, concluiu seus primeiros testes em março de 2024 e agora opera sem emissões na movimentada rota marítima do Reno, entre Rotterdam, na Holanda, e Duisburg, na Alemanha. Originalmente porta-contêineres tradicional movido a diesel, o H2 Barge 2 teve seus motores de combustão e tanques de combustível fóssil removidos em 2023 durante sua modernização no estaleiro Holland Shipyards Group em Werkendam.
Agora, seu novo sistema de propulsão conta com seis módulos de células de combustível PEM (Membrana de Troca de Prótons), proporcionando capacidade total de 1,2 MW, além de tanques de armazenamento de hidrogênio, baterias e sistema de propulsão elétrica instalado abaixo do convés. Essa embarcação inovadora, com capacidade de carga equivalente a 190 contêineres de 20 pés e a possibilidade de acomodar uma barcaça de empurrar, promete reduzir as emissões de CO₂ em três mil toneladas anualmente.
O hidrogênio é conhecido há muito tempo por seu alto conteúdo energético por unidade de peso. Quando usado em uma célula de combustível, ele se combina com o oxigênio para produzir eletricidade, tendo a água como único subproduto. Essa reação simples torna o hidrogênio opção atraente para a redução das emissões de carbono, mas a produção e o armazenamento apresentam desafios.
Ele é produzido de diversas maneiras, e o considerado mais sustentável é o por eletrólise, na qual a eletricidade, idealmente gerada de fontes renováveis, separa a água em hidrogênio e oxigênio. Esse método, conhecido como hidrogênio verde, está ganhando interesse à medida que os custos da energia renovável diminuem.
De acordo com a Agência Internacional de Energia, a produção de hidrogênio verde poderá se expandir significativamente na próxima década, conforme os custos da energia renovável diminuem. Há expectativa de que, de menos de 1% da energia usada no transporte marítimo atualmente, o hidrogênio passe para 19% em 2050.
O armazenamento e o transporte adicionam outra camada de complexidade porque o hidrogênio comprimido ou liquefeito requer infraestrutura especializada, pois suas pequenas moléculas podem vazar facilmente. Além disso, outro obstáculo para o uso de embarcações movidas por esse combustível é o custo.
Segundo o CEO da FPS, Richard Klatten, se for considerada a sustentabilidade, o ideal seria trabalhar com embarcações que já estão no mercado e, segundo ele, só no Porto de Rotterdam há cinco mil de navegação interior. “A maioria delas é de propriedade privada e exige grande investimento inicial”, disse Klatten.















