A retomada das rotas comerciais pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez terá impacto sobre o mercado de transporte marítimo de contêineres, sobre a demanda por navios e sobre o equilíbrio geral do mercado nos próximos anos, avalia o Conselho Marítimo Internacional e do Báltico (Bimco) em seu Panorama e Perspectivas do Mercado de Transporte Marítimo de Contêineres para dezembro. O estudo indica que as transportadoras vão em breve retomar gradualmente as travessias, o que poderia reduzir a demanda por navios em cerca de 10%.
A partir de janeiro, o serviço Indamex da CMA CGM voltará a usar integralmente o Canal de Suez, enquanto o serviço MEX o utilizará no retorno da Europa para a Ásia. Caso essas rotas sejam bem-sucedidas, a expectativa é de que outras transportadoras ajustem seus serviços gradualmente, retornando ao Canal de Suez.
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O Bimco prevê que a oferta cresça 3% e que a procura aumente de 2,5% e 3,5% em 2026. Para 2027, ele estima que o crescimento da oferta supere ligeiramente o da procura, com previsão de aumento da oferta de 3,5% e crescimento da procura de 2,5% e 3,5%, com menos equilíbrio entre oferta e procura em relação a 2025.
O Conselho informou que o Fundo Monetário Internacional prevê que a economia global crescerá 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027. O crescimento tem se mostrado mais resiliente do que esperado ao impacto do aumento das tarifas americanas de importação. Além disso, as condições no setor manufatureiro em termos mundiais melhoraram, com o Índice de Geral de Compras da indústria global acima de 50 nos quatro meses mais recentes.
O volume de vendas no varejo nos Estados Unidos, na União Europeia e na China cresceu menos de 2% nos últimos três meses em relação ao mesmo período de 2024 e inferior ao reggistrado o início do ano de 2025. Ao mesmo tempo, a confiança do consumidor americano continua perto das mínimas históricas, refletindo a pressão sobre seu poder aquisitivo.
Por isso, o Bimco avalia que a probabilidade de retorno às rotas normais do Canal de Suez aumentou. Ele prevê que, do lado da oferta, a capacidade da frota global deverá passar de 36 milhões de TEUs até o fim de 2027, principalmente com navios maiores, com capacidade acima de 12.000 TEUs, com crescimento de cerca de 20% do uso dessas embarcações.
Em sua publicação, o Bimco estima que navios totalizadno 750.000 TEUs serão mandados para reciclagem em 2026 e 2027, com aumento considerado significativo em relação aos últimos nove anos. Com isso, prevê o Consellho, será reduzido o excedente que deveria ser reciclado acumulado em cinco anos e que é estimado em 1,8 milhão de TEUs.
O Bimco informa ainda que as velocidades médias de navegação ponderada pela capacidade caiu para 14,7 nós em 2025, contra 14,8 nós em 2024, mas acima dos 14,4 nós de 2023. E há expectativa de que, com a entrega de mais navios, as transportadoras reduzam ainda mais a velocidade das embarcações, em torno de 0,25 em 2026 e em 2027. Com isso, a oferta poderá crescer 1,2% em cada um desses anos.
Com o aumento da reciclagem de navios e a redução na velocidade média de navegação, a estimativa é de que as condições médias do mercado em 2026 sejam semelhantes às de 2025 e caiam ligeiramente em 2027. O crescimento previsto da demanda por navios é de 2,5% a 3,5% nos dois anos, enquanto a oferta deverá crescer 3% em 2026 e 3,5% em 2027, de acordo com Niels Rasmussen, analista-chefe de transporte marítimo da Bimco.
O volume de contêineres importados da América do Norte deverá cair 3% em 2025, com taxas negativas no primeiro semestre de 2026, antes que o mercado retome o crescimento no segundo semestre. De modo geral, prevê-se que o volume de contêineres importados da América do Norte cresça 2% tanto em 2026 quanto em 2027.
Rasmussen alertou, no entanto, que há riscos para esse aumento porque até 70% do crescimento econômico dos Estados Unidos em 2025 está sendo determiado por investimentos em Inteligência Artificial (IA) e pela valorização das ações de empresas desse segomento. "Caso a bolha da IA estoure, poderá prejudicar significativamente a economia americana, com consequências para a economia mundial e para o crescimento da demanda por porta-contêineres", disse.


















