A mais recente análise divulgada pela Drewry prevê cancelamentos, nas rotas leste-oeste, de 38 partidas de porta-contêineres de um total de 706 programadas, o que equivale a 5%. Como 95% dos serviços ainda estão programados, o relatório indica que há relativa estabilidade na oferta de serviços, apesar da continuidade da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e que afeta outros países do Oriente Médio e causou o fechamento do Estreito de Ormuz.
O relatório da Drewry informa que o maior número de cancelamentos de viagens ocorre na rota transpacífica em direção ao leste, representando 58% de todos os cancelamentos, seguida pela rota Ásia-Europa/Mediterrâneo, com 26%, e pela rota transatlântica em direção ao oeste, com 16%. A consultoria especializada em transporte marítimo destaca também que a Gemini Cooperation é o serviço com menor índice taxa suspensão de partidas, de 1% nas principais rotas leste-oeste.
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A consultoria alerta, no entanto, que os cancelamentos começam a indicar mudanças mais profundas nas redes operacionais. “As companhias de navegação estão ajustando suas redes e gerenciando os crescentes custos operacionais”, observa a análise. De acordo com a empresa, diferentemente de crises anteriores, como a do Mar Vermelho, o impacto atual é considerado limitado. “A capacidade permanece em grande parte intacta e não se observam interrupções generalizadas nos serviços essenciais”, observa a Drewry, com a ressalva de que, por causa do contexto, os cancelamentos podem intensificar-se a curto prazo.
A consultoria informou ainda que os efeitos da guerra e do fechamento do Estreito de Ormuz refletem no aumento do congestionamento portuário no Sul da Ásia e em terminais alternativos no Oriente Médio, com portos indianos e centros regionais absorvendo volumes redirecionados. “Os atrasos estão aumentando em pontos de transbordo importantes, adicionando atrito operacional ao planejamento da rede”, alertou em seu relatório.
O cenário já começa a impactar os preços. O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry registrou aumento semanal de 5%, atingindo 2.279 dólares por FEU em 26 de março. “As tarifas para a Ásia-Europa/Mediterrâneo subiram 8%, enquanto as rotas transpacíficas e transatlânticas aumentaram 3%”, detalhou. A consultoria avalia que, embora as condições ainda sejam consideradas administráveis para os proprietários de carga, o ambiente está se tornando mais instável. “Os custos estão aumentando, e as rotas são menos previsíveis”, concluiu a Drewry.

















