O Índice Mundial de Contêineres da Drewry (WCI), empresa especializada em mercado de frete marítimo, divulgado na quinta-feira (29), revelou que o preço frete no segmento caiu 5% na última semana de janeiro, em relação à semana anterior, para 2.107 dólares por FEU. Segundo a empresa, foi a terceira semana consecutiva com queda nas taxas, devido à maior disponibilidade de espaço, menor demanda sazonal e frota crescente.
Segundo a consultoria, a queda é provocada principalmente pela redução das tarifas nas rotas transpacífica e entre a Ásia e a Europa, duas das mais importantes do transporte marítimo global. Na rota Ásia-Estados Unidos, as tarifas spot de Xangai para Nova York caíram 7%, para 2.969 dólares por FEU, enquanto as de Xangai para Los Angeles recuaram 4%, para 2.442 dólares por FEU.
PUBLICIDADE
A Drewry atribui essa tendência à fraca demanda em função do fechamento de fábricas para o Ano Novo Lunar. Com base em dados da Container Capacity Insight, a consultoria informou que as companhias de navegação anunciaram 63 cancelamentos de viagens para fevereiro, em comparação com 27 em janeiro, numa tentativa de ajustar a oferta diante de um mercado mais fraco. Apesar disso, a consultoria prevê que as taxas spot continuarão a cair nas próximas semanas.
De acordo a Drewry, a pressão de baixa é sentida também na Europa, e as tarifas entre Xangai e Roterdã caíram 5%, para 2.379 dólares por FEU, enquanto as entre Xangai e Gênova recuaram 6%, para 3.293 dólares. Nesse contexto de menor lucratividade, a consultoria avaliou que as companhias de navegação estão adotando estratégias divergentes em relação ao Canal de Suez. “A CMA CGM está retirando seus serviços entre a Ásia e a Europa da região, enquanto a Maersk planeja retomar seu serviço regular da Índia para a Costa Leste dos Estados Unidos via canal.”
Os dados da Xeneta de 29 de janeiro reforçam esse cenário. Suas taxas spot médias mostram valores de 2.312 dólares por FEU do Extremo Oriente para a costa oeste dos Estados Unidos, de 3.238 dólares por FEU para a costa leste americana, de 2.673 dólares por para o norte da Europa e de 4.278 dólares por FEU para o Mediterrâneo. Do norte da Europa para a costa leste dos Estados Unidos, o valor caiu para 1.533 dólares.
Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, explicou que o ajuste decorre de excesso de oferta de capacidade. Segundo especialista, as companhias de navegação aumentaram sua oferta de capacidade em janeiro para capitalizar a demanda sazonalmente mais forte, mas a capacidade está superando a procura, com impacto negativo nas tarifas. Ele disse que, em 1º de janeiro, as tarifas do Extremo Oriente para a costa oeste dos Estados haviam subido 30%, mas, desde então, a capacidade oferecida cresceu 6% e as tarifas caíram 18%.
O padrão se repete em outras rotas importantes. Sand informou que houve quedas médias, desde 1º de janeiro, de 15% para a costa leste americana, de 5% para o norte da Europa e de 11% para o Mediterrâneo. De acordo com ele, como a correria pré-Ano Novo Lunar já passou, o mercado está se inclinando ainda mais a favor dos proprietários de carga, com as taxas se tornando mais moderadas.
A análise da Freightos também aponta para ciclo estruturalmente mais fraco. Judah Levine, diretor de pesquisa da empresa, alertou que o transporte marítimo de contêineres está entrando em ciclo descendente, pressionando as tarifas e as receitas das companhias de navegação, à medida que uma onda sem precedentes de nova capacidade continua a entrar no mercado e, além disso, armadores continuam encomendando navios e mantendo a capacidade mais antiga.


















