O diretor de desenvolvimento de atividades correlatas da Autoridade do Canal do Panamá (ACP), Rafael Pirro, confirmou, em um fórum na Câmara Marítima panamenha, que a entidade planeja conceder, em junho de 2027 e em junho de 2028, dois novos terminais portuários de transbordo e um gasoduto interoceânico. Segundo Pirro, o cronograma prevê a concessão dos terminais portuários em 2027, com entrada em operação em 2029 e 2030, e a para a construção do gasoduto no ano seguinte, com entrada em funcionamento em 2031.
O diretor explicou que os dois processos estão atualmente na fase de pré-qualificação, que foi iniciada em 30 de janeiro e tem previsão de conclusão até maio. Após essa fase, será iniciado o período de interação e de diálogo com as empresas pré-qualificadas. O objetivo será adequar os documentos de licitação e os contratos de concessão às condições de mercado.
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Pirro indicou que o desenvolvimento dessa infraestrutura responde à necessidade de expandir a capacidade logística do Panamá para evitar que a carga seja desviada para outros portos da região. “Se não fornecermos a capacidade necessária, o mercado buscará outras opções. Estamos em momento em que ainda podemos aproveitar essas oportunidades”, observou.
O plano inclui dois novos terminais portuários especializados em transbordo de contêineres: Corozal, na costa do Pacífico, e Isla Telfers, na costa do Atlântico. O investimento estimado em ambos os terminais seria de cerca de 2,6 bilhões de dólares. Cada terminal teria capacidade entre 2 e 3 milhões de TEUs por ano, o que permitiria que a capacidade total do sistema portuário panamenho aumentasse de cerca de 9 a 10 milhões para cerca de 15 milhões de TEUs anualmente.
O representante da ACP afirma que os projetos respondem a uma crescente demanda global, especialmente no comércio de gás do Golfo do México para o nordeste da Ásia. Atualmente, o Canal é responsável por cerca de 95% do transporte desses produtos pela rota panamenha, mas a concorrência de rotas mais longas, como o Cabo da Boa Esperança, pode aumentar se a capacidade logística não for ampliada.
O projeto do gasoduto prevê 76 quilômetros de extensão entre o Atlântico e o Pacífico, com capacidade nominal para transportar até 2,5 milhões de barris por dia de produtos energéticos, principalmente propano, butano e etano. A infraestrutura incluirá terminais marítimos em ambas as costas, tanques de armazenamento para quase 12 milhões de barris e três sistemas independentes para lidar com os diferentes produtos.
O objetivo é transportar parte desses combustíveis por via terrestre, liberando capacidade no Canal para outros tipos de carga marítima. O investimento estimado varia de quatro bilhões a oito bilhões de dólares, dependendo do escopo final das concessões.















