Estudo divulgado pela Alphaliner, empresa especializada em análise de fretes e transporte marítimo, revelou que a margem operacional média das principais companhias de navegação caiu para 5,3% no fim do quarto trimestre de 2025, após vários trimestres de resultados positivos. De acordo com a análise, a queda é consequência da redução contínua das taxas de frete e da receita por TEU transportado.
Segundo a Alphaliner, algumas das 10 maiores empresas do setor, incluindo Maersk , Yang Ming e ONE, registraram prejuízos operacionais. As três companhias citadas tiveram no período perdas nos serviços de transporte de contêineres, com resultados negativos de EBIT de 153 milhões de dólares, 23 milhões de dólares e 84 milhões de dólares, respectivamente.
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De acordo com a análise, “foi a primeira vez que o setor registrou prejuízos operacionais desde o período do quarto trimestre de 2023 ao primeiro trimestre de 2024”. Segundo a Alphaliner, os resultados refletem “a queda acentuada nas taxas de frete, com as companhias de navegação registrando suas menores taxas médias por TEU em dois anos”.
Mas, apesar do cenário considerado adverso, algumas empresas conseguiram melhorar receitas e lucros, ainda que com margens mínimas. São os casos da ZIM, que fechou o último trimestre de 2025 com lucro operacional de 13 milhões de dólares, equivalentes a margem inferior a 1%, e da CMA CGM , que registrou ganho operacional em seu negócio de transporte marítimo, mas apresentou lucro líquido zero no nível geral de atividades do grupo.
Já a Wan Hai Lines liderou o setor em rentabilidade, consolidando sua posição pelo terceiro trimestre consecutivo. O relatório destaca que “a Wan Hai registrou a maior margem operacional individual, com retorno de 18,9%, acima da concorrente mais próxima, a HMM , que cresceu 10,7%”. A Alphaliner informou que a empresa de navegação taiwanesa também liderou o ranking anual, beneficiando-se de seu foco no mercado intra-asiático, impulsionado em 2025 pelas consequências das políticas tarifárias dos Estados Unidos”.
Em conjunto, segundo o levantamento, “as nove maiores empresas de transporte marítimo geraram lucros operacionais de 13,9 bilhões de dólares em 2025, abaixo dos 32,6 bilhões de dólares de 2024”. O relatório ressalta, no entanto, que “os resultados permanecem bem acima da média da década anterior à Covid-19”, confirmando que o setor ainda se encontra em ciclo lucrativo.
Em termos operacionais, o ano foi marcado por crescimento nos volumes, mas com pressão sobre as tarifas. De acordo com a Alphaliner, “todas as principais companhias de navegação aumentaram seus volumes em 2025, com exceção da ZIM”, enquanto “as reduções nas tarifas foram generalizadas, variando de 8% a 24%”.
A empresa prevê para 2026 o possível aumento de pressão sobre as margens de fretes e de lucros associada ao amento da oferta de capacidades nas embarcações e às mudanças no ambiente geopolítico. Mas sugere que alguns eventos podem influenciar ainda mais o cenário do transporte marítimo, entre eles a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
















