A Wärtsilä divulgou os resultados de uma pesquisa feita em 2025 ouvindo 225 executivos seniores do setor marítimo, em que 90% dos entrevistados se manifestou contra o adiamento de programas de descabornização e garantiram estar confiantes na capacidade de adaptar seus negócios às mudanças necessárias para a transição energética. A maioria, no entanto, informou que a incerteza em relação aos caminhos tecnológicos, à disponibilidade de combustível, à retenção de talentos e à regulação dificulta a tomada de decisões.
Na pesquisa 'No Comando do Transporte Marítimo – como Navegar na Regulamentação, no Risco e no ROI', quase sete em cada dez entrevistados afirmaram que a incerteza está prejudicando sua capacidade de priorizar investimentos, enquanto 42% identificaram o equilíbrio entre o investimento em descarbonização e retornos aceitáveis como o principal desafio. Apesar disso, os resultados mostraram que adiar as medidas para a redução de emissões não é considerada estratégia viável.
PUBLICIDADE
Em vez de esperar por total clareza regulatória ou tecnológica, os líderes do setor marítimo acreditam que precisam incorporar flexibilidade e opções em seus planos de investimento, garantindo que possam se adaptar à medida que a transição avança. A constatação é de que segmento está entrando em fase mais complexa e que exige mais aportes e estratégias para mitigar o aumento de custos operacionais resultantes das regulamentações visando a descarbonização.
Os resultados indicam ainda a preocupação com o crescente risco de execução para proprietários e operadores de embarcações em relação a medidas como o Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia e o FuelEU Maritime, que transformam o desempenho em termos de emissões em variável financeira. Além disso, mostram que o momento de fazer os investimentos, as escolhas de combustível e o uso de ativos estão sendo cada vez mais determinados por pressão regulatória, custos de combustível flutuantes e opções tecnológicas em constante evolução e que a avalição é de que erros nessas questões podem afetar a competitividade a longo prazo e o valor das embarcações e dos equipamentos.
O relatório destaca a confiança em que parcerias de longo prazo entre operadores e fabricantes de equipamentos originais ajudem a reduzir a incerteza, fornecendo acesso a dados operacionais, conhecimento técnico e informações sobre o ciclo de vida. A expectativa é que essa colaboração permita a manutenção preditiva e a gestão de ativos mais orientada por dados, ajudando a proteger o desempenho da embarcação e o seu valor a longo prazo.
À medida que os marcos ambientais continuam a evoluir e o desempenho em termos de emissões torna-se cada vez mais atrelado aos resultados comerciais, a melhoria da eficiência e do desempenho operacional das embarcações permanecerá essencial para a gestão dos riscos de conformidade e do retorno sobre o investimento.
Roger Holm, presidente da Wärtsilä Marine e vice-presidente executivo da Wärtsilä Corporation, availou que os líderes do setor marítimo continuam confiantes em sua capacidade de adaptação à transição energética, mas as decisões que precisam tomar estão se tornando mais complexas. De acordo com ele, com regulamentações mais rigorosas e opções de combustível em constante evolução, remodelando as decisões de investimento, os armadores e operadores não podem esperar.
Para Holm, eles precisam adotar medidas proativas agora, priorizando dados, colaboração e soluções de longo prazo para garantir a competitividade. “Os operadores mais resilientes são aqueles que se preparam para múltiplos caminhos, criando flexibilidade hoje para que possam responder rapidamente à medida que o cenário regulatório e de combustíveis se desenvolve”, disse.

















