Em 26 de fevereiro, o óleo diesel convencencional marítimo estava cotado em Singapura em torno de 700 dólares por tonelada. Em 15 de março, o preço havia disparado para mais de 1.900 dólares por tonelada, ultrapassando os preços do combustível marítimo de biometanol e elevando o custo total efetivo muito além dele, informou nessa segunda-feira (16) a Rystad Energy, plataforma especializada em cotações internacionais de combustíveis marítimos.
Segundo a consultoria, citando dados da sua calculadora de custos de combustível marítimo, a crise de Hormuz proporcionou um teste de estresse em tempo real do que significa uma interrupção no fornecimento de combustível convencional em grande escala. O resultado, em princípio, é que o biometanol, que era considerado o combustível mais caro, é agora o com preços mais competitivos
PUBLICIDADE
A Rystad avalia que a alta dos preços provavelmente diminuirá e que é improvável que um único mês de volatilidade provoque mudanças imediatas nos investimentos em frotas. Mas alega que uma mudança estrutural pode se provar mais duradoura.
Operadores asiáticos, que obtêm cerca de 70% do seu petróleo bruto através do Estreito de Ormuz, já experimentaram na prática o risco de concentração do fornecimento de combustível. Isso deixou de ser uma mera hipótese abstrata de modelagem.
De acordo com a plataforma, a situação se torna particularmente relevante para a Ásia, porque a China detém a maior capacidade de produção de metanol renovável do mundo, o que significa que o fornecimento regional e doméstico de biometanol está se tornando uma opção real para os armadores asiáticos, sem depender dos mesmos gargalos geopolíticos.
A empresa lembra que durante anos a transição energética marítima foi enquadrada em torno de uma única restrição: insuficiência de suprimento de combustível verde. Mas, agora, a crise de Ormuz introduz o outro lado da equação: a disponibilidade de combustível convencional também não está totalmente garantida. E conclui que a diversificação de combustíveis já não é apenas uma estratégia de descarbonização.
Na avaliação da Rystad, está se tornando uma estratégia central de segurança energética para os armadores. A leitura é que, embora não seja provável que o aumento dos preços por si só desencadeie mudanças estruturais nas encomendas de novas construções, vai antecipar decisões sobre navios com duplo combustível já em preparação e reformular as estratégias de contratação de fornecimento de combustível.
















