A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem imposição de remédios, a fusão entre as empresas de engenharia offshore Subsea7 e Saipem, que dará origem ao grupo Saipem7. A decisão, divulgada em 23 de junho, elimina o principal obstáculo regulatório para o negócio em um dos mercados mais relevantes para atividades de instalação submarina em águas profundas, embora ainda caiba recurso de terceiros ao próprio Cade.
No parecer, a Superintendência-Geral concluiu que a combinação dos ativos das duas contratadas não gera concentração considerada preocupante nos principais segmentos analisados, em especial na prestação de serviços de engenharia, aquisição, construção e instalação (EPCI) em ambientes offshore. O órgão avaliou que permanecem alternativas de fornecedores globais e regionais capazes de disputar projetos de grande porte, ainda que Subsea7 e Saipem estejam entre os maiores players mundiais nesse tipo de operação.
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A aprovação no Brasil ocorre em um contexto de forte contestação por parte de grandes companhias de petróleo com atuação no país, como ExxonMobil, Petrobras e TotalEnergies, que manifestaram preocupação com eventual poder de mercado da nova empresa, batizada de Saipem7. Em manifestações encaminhadas ao Cade, esses grupos argumentaram que a fusão poderia reduzir a concorrência em contratos de serviços submarinos, com risco de aumento de custos e de maior pressão por contratos de longo prazo em regime de exclusividade.
Apesar dessas objeções, o Cade decidiu autorizar o negócio sem exigir desinvestimentos, restrições de participação em licitações específicas ou outras medidas de mitigação concorrencial. A autarquia ressaltou que a operação ainda pode ser levada ao Tribunal do Cade por meio de recurso de terceiros interessados, o que abriria nova etapa de análise, mas o aval da Superintendência-Geral é visto por analistas como o “principal passo” para a consumação da fusão.
Relatórios de mercado indicam que o Brasil era considerado o “maior risco regulatório” para a operação, dado o peso do país no portfólio offshore das duas contratadas e a concentração de projetos em águas profundas e ultraprofundas. Com a aprovação sem condicionantes, casas de análise como Morgan Stanley passaram a tratar a remoção dessa incerteza como fator relevante para a precificação das ações de Subsea7 e Saipem, apontando que o processo tende a avançar para conclusão até o fim de 2026, ainda sujeito a eventuais recursos.
Para o segmento de engenharia submarina e construção offshore, a criação de um grupo integrado com a escala combinada de Subsea7 e Saipem reforça o peso de grandes contratadas na negociação de pacotes EPCI de alto valor, em especial em projetos de águas profundas. Ao mesmo tempo, a manutenção de players concorrentes e a possibilidade de apelação no Cade mantêm em aberto o debate sobre como essa consolidação afetará a dinâmica de concorrência em futuras licitações ligadas ao desenvolvimento de campos de petróleo e gás.













