Parceria com Repsol Sinopec Brasil, ExxonMobil Brasil e Petrobras , financiado pela cláusula de P&DI da ANP, propõe simplificação das configurações de risers eliminando sistemas de flutuação para projetos submarinos de E&P
As empresas Subsea7, Repsol Sinopec Brasil, ExxonMobil Brasil e Petrobras anunciaram a segunda fase de desenvolvimento do projeto ‘Gimbal Joint Riser’ (GJR). Financiada pela cláusula de obrigação de investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a tecnologia está na etapa de validação experimental em escala real com a apresentação do seu protótipo ao mercado.
PUBLICIDADE
O GJR introduz uma junta multiarticulada em risers (tubulações) rígidos para absorver os movimentos dinâmicos gerados pela plataforma nos projetos de exploração e produção de petróleo em alto mar. Na prática, a tecnologia permite utilizar as tubulações em formato de catenária livre (suspensa diretamente) em águas ultraprofundas, eliminando a necessidade de grandes estruturas de flutuação, como as exigidas pelos modelos convencionais, conhecidos como “Steel Lazy Wave Risers” (SLWRs).
A Subsea7 destacou que o avanço do projeto GJR para a fase corrente de testes do protótipo em escala real valida a tese técnica de maneira objetiva. Segundo a empresa, os dados provam que simplificar a estrutura submarina elimina a necessidade de centenas de metros de tubulações adicionais, reduzindo os custos de instalação e a pegada de carbono, sempre tendo a segurança operacional como prioridade.
“O trabalho executado até aqui, lado a lado com a Repsol Sinopec Brasil, a ExxonMobil Brasil e a Petrobras, nos tem garantido a consistência de engenharia necessária para atingir a maturidade tecnológica que o mercado offshore exige”, afirmou Yann Cottart, vice-presidente sênior Brazil GPC West da Subsea7.
Os estudos técnicos indicaram que a solução tem potencial para gerar ganhos relevantes de eficiência operacional e redução de custos, em função da simplificação do sistema em catenária livre e da menor necessidade de materiais e equipamentos. Essa abordagem também favorece a sustentabilidade das operações, contribuindo para a redução das emissões associadas à fabricação, logística e instalação dos sistemas submarinos.
A tecnologia GJR apresenta-se como uma solução alternativa também ao sistema de tubos flexíveis, em configuração ‘lazy wave’, onde um dos principais desafios operacionais é a corrosão sob tensão (SCC). Mesmo tendo um componente flexível, podendo ser este um tubo flexível ou compósito, o design da armadura externa opera absorvendo as cargas de tração, protegendo o componente flexível, eliminando um fator importante para a ocorrência do fenômeno SCC.
“O GJR evidencia o valor da colaboração entre parceiros de excelência para o avanço de soluções tecnológicas voltadas aos desafios da produção em águas ultra profundas. Ao mesmo tempo em que contribui para operações cada vez mais seguras e eficientes, a iniciativa projeta o Brasil como referência internacional no desenvolvimento de tecnologias offshore”, acrescentou José Salinero, gerente sênior de P&D da Repsol Sinopec Brasil.
Para o avanço tecnológico rumo ao nível TRL6, conforme maturidade estabelecida pela ABNT (TRL-4, segundo as normas API 17N/17Q), o projeto já contabiliza mais de 15 mil horas de engenharia aplicadas, somente nesta fase, por uma equipe multidisciplinar de mais de 100 profissionais, considerando apenas a empresa executora, além dos envolvidos na cadeia de suprimentos do projeto. Nesta nova fase, o protótipo em escala real passa por testes de laboratório que simulam os limites de carregamento e as condições reais de um ambiente offshore extremo.
Entre os parceiros nacionais estão o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano - Coppe/UFRJ), no Rio de Janeiro, e a Simeros Technologies (RS), que conduzem atividades de experimentação e testes. A Açoforja Indústria de Forjados S.A. (MG), é a responsável pela fabricação das peças estruturais. A classificadora Bureau Veritas acompanha o projeto desde a sua fase inicial, a fim de garantir a qualidade da tecnologia. O projeto conta, ainda, com a participação de outras empresas responsáveis pelo fornecimento de elementos que compõem o equipamento.













