A Autoridade Portuária de Roterdã, na Holanda, anunciou nesta segunda-feira (23) que receberá financiamento de 90 milhões de euros do Banco Europeu de Investimentos (BEI) para a instalação de infraestruturas de energia elétrica. O aporte será destinado à Rotterdam Shore Power, joint venture entre a Autoridade Portuária de Roterdão e a Eneco.
Além da instalação para fornecimento de energia em terra, a parceria usará os recursos para fazer a ligação à rede elétrica, para instalar o cabeamento e em outras obras de construção e escavação associadas. No total, oito quilômetros de cais serão equipados com energia elétrica em terra, com 35 pontos de ligação para navios porta-contêineres.
PUBLICIDADE
A autoridade portuária informou ainda que há possibilidade de receber para o projeto subvenção de cerca de 70 milhões de euros da Comissão Europeia, pelo Mecanismo de Infraestruturas de Combustíveis Alternativos (AFIF) do Mecanismo Interligar a Europa (MIE). A entidade explicou que o financiamento do BEI e a subvenção da União Europeia visam dotar a rede de transportes europeia de infraestruturas para a mobilidade elétrica.
Ela lembrou que os grandes porta-contêineres ainda dependem de motores ou geradores a combustíveis fósseis para fornecer energia aos sistemas elétricos de bordo, o que causa, além de emissões de CO₂, ruído e liberação de partículas. A expectativa é de que as instalações de energia de terra sejam entregues e entrem em funcionamento, em fases, a partir do segundo semestre de 2028.
Robert de Groot, vice-presidente do BEI, destacou a importância do projeto destacando que Roterdã é o porto mais importante da Europa. Ele disse que conectar grandes navios porta-contêineres à energia elétrica em terra é um passo importante para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Segundo Groot, isso não é bom apenas para o meio ambiente, a qualidade do ar e a saúde pública, mas também para a economia europeia, pois ajudará o continente a ser menos dependente de energia proveniente de locais distantes. “A conjuntura geopolítica deixa claro que a Europa precisa se tornar mais autônoma em relação ao seu fornecimento de energia”, afirmou.
Vivienne de Leeuw, diretora financeira da Autoridade Portuária de Roterdã, afirmou que a energia elétrica em terra desempenha papel vital na transição energética, que o porto trabalha para alcançar operações neutras em carbono até 2050 e, que, para salvaguardar sua posição competitiva, investimentos como esses são indispensáveis. “Eles tornam nossas metas climáticas alcançáveis e reforçam o papel do porto como centro de contêineres sustentável e preparado para o futuro no noroeste da Europa”, disse.
Já Cecilia Thorfinn, chefe interina da Representação da Comissão nos Países Baixos, avaliou que o atual contexto geopolítico força a Europa a fazer escolhas cruciais para se manter competitiva e, ao mesmo tempo, tornar-se independente em termos energéticos. Segundo ela, para o porto de Roterdã, o maior da Europa, o transporte mais sustentável é essencial para manter a conectividade. “Através das subvenções do Mecanismo Interligar a Europa, a Comissão Europeia apoia a implementação da infraestrutura de combustíveis alternativos necessária para que isso aconteça”, disse.















