O terceiro volume do Anuário Agrologístico, divulgado nesta terça-feira (26) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), destacou que os portos do Arco Norte passaram a ser os principais eixos de entrada de adubos e fertilizantes no país, ultrapassando o volume verificado em Paranaguá. Segundo a publicação, a mudança foi iniciada em 2024 e se consolidou no ano passado, quando foram registradas 13,36 milhões de toneladas desembarcadas em terminais da região, contra 10,89 milhões de toneladas no porto do Paraná.
De acordo com o levantamento, de 2021 a 2025 foi registrada alta de 62,7% nas importações de fertilizantes pelo complexo portuário do Arco Norte e queda de 0,8% em Paranaguá. O superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, creditou os resultados no segmento às melhorias das condições de infraestrutura nos portos do Norte, à proximidade com as principais regiões produtoras de grãos e fibras do país e à possibilidade de fretes de retorno.
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O anuário informa que foram desembarcadas em Itaqui, no Maranhão, 34% do volume de fertilizantes que passaram pelo conjunto dos portos, enquanto a participação de Santarém, no Pará, foi de 22%, principalmente de cargas oriundas do Pará, do Mato Grosso e do oeste de Tocantins. Já o porto de Salvador respondeu por 21% das importações, visando o atendimento à região do Matopiba, particularmente o oeste baiano, grande produtor de algodão, soja e milho.
O presidente da Conab, Sílvio Porto, avaliou que a consolidação do Arco Norte como eixo de escoamento dos produtos agropecuários traz desafios para o setor público e preocupação com a expansão agropecuária na Amazônia e com a possibilidade de desmatamento e conflitos agrários. Segundo ele, o Anuário permite a análise mais ampla do fluxo das mercadorias e dos impactos nos territórios.
Porto afirmou que a Conab tem percebido nos últimos 10 anos o deslocamento da movimentação do sul para o norte do Brasil. Segundo ele, parte do Centro-Norte tem assumido relevância na saída dos grãos e se aproveitado da logística para a importação dos fertilizantes, em especial o potássio, ureia e fosfatado. “Antes todo o grão do Mato Grosso saía ou por Paranaguá ou, principalmente, por Santos”, explicou.
O diretor de operações e abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos, disse que um dos fatores que explicam essa alta é a possibilidade do frete de retorno, que diminui o custo logístico. “Movimenta-se em direção aos portos com os grãos e retorna-se para as regiões produtoras com os fertilizantes”, explicou.
De acordo com a Conab, a maior entrada de adubos e fertilizantes pelo Arco Norte é influenciada pelo fato de os portos da região se firmarem como principal escolha para o escoamento de milho e soja em grãos para o mercado internacional. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de grãos pelos portos do Arco Norte saíram de 36,56 milhões de toneladas em 2021 para 58,06 milhões de toneladas em 2025, com alta de 59%.
O maior crescimento foi registrado no porto maranhense de Itaqui, de 11,55 milhões de toneladas em 2021 para 20,14 milhões de toneladas em 2025, com elevação de 74%. Na sequência, aparece o porto de Barcarena, no Pará, por onde em 2021 foram escoados 12,14 milhões de toneladas e, em 2025, o volume chegou a 16,03 milhões de toneladas.
Já a movimentação em Itacoatiara, no Amazonas, passou de 3,83 milhões de toneladas em 21021 para 11,02 milhões toneladas em 2025, com alta de 188% no período. “Essa evolução ocorre em razão dos investimentos realizados tanto nos portos, como nos acessos, usando os diversos modos, seja rodovia, hidrovia ou ferrovia”, informou Thomé Guth.
Ainda segundo dados do MDIC, as exportações acumuladas de soja atingiram, no ano passado, 108,18 milhões de toneladas, 9,48% a mais em comparação com as registradas em 2024. Desse volume, 36,2% foram escoadas pelos portos do Arco Norte, seguidos pelo Porto de Santos, por onde foram movimentadas 32% das exportações, e por Paranaguá, responsável por 13,4% dos embarques.
O estado de Mato Grosso continuou como principal exportador da oleaginosa com 32,06 milhões de toneladas. Ele é seguido por Goiás, com 12,94 milhões, pelo Paraná, com 11,29 milhões, pelo Rio Grande do Sul, com 8,29 milhões, e por Mato Grosso do Sul, com 6,12 milhões.
Já as vendas ao mercado externo de milho em 2025 chegaram a 40,98 milhões de toneladas, 3% acima do registrado no ano anterior. Mato Grosso participou com 56% do total das exportações e Goiás com 11% das vendas internacionais, e o escoamento foi majoritariamente pelo Arco Norte, com 48% do volume saindo pelos terminais da região, seguidos por Santos, com 36,9%, e por Paranaguá, com 10,4%.
No caso de milho e soja em grãos produzidos no Matopiba, o porto de Itaqui, no Maranhão, se destacou com a quase totalidade do volume exportado. Mas o Anuário registra queda nas exportações de milho produzido na região pelo terminal maranhense, de 5,57 milhões de toneladas em 2023 para 2,73 milhões de toneladas em 2024 e 1,41 milhão de toneladas no ano passado. Segundo a análise da Conab, essa queda pode ser explicada pelo aumento do consumo doméstico impulsionado pela produção de etanol de milho após a implantação de usinas em estados no Nordeste.
A publicação traz ainda informações sobre a evolução da movimentação pelos principais modais na exportação de grãos de 2010 a 2025. O hidroviário passou de 8% para 15%, e o ferroviário caiu de 53% para 38%. “Mesmo com investimentos em ferrovias e hidrovias, o modal rodoviário já está estabelecido e, em momentos de estresse, é mais utilizado pelos produtores para escoar a produção”, explicou Thomé Guth.














