O Ministério da Agricultura anunciou na última sextafeira que vai realizar no próximo dia 2 dezembro os primeiros leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e Prêmio para Escoamento do Produto (PEP) para apoiar a comercialização de trigo da safra 2016.
A Conab vai apoiar o escoamento de 215 mil toneladas do cereal por meio desses leilões iniciais. O produto tem como origem os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
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De acordo com a Agricultura, já foram negociados com o Ministério da Fazenda a aplicação total de até R$ 150 milhões para todos os leilões de Pepro e PEP. Mas o secretário de Política Agrícola do ministério, Neri Geller, esclareceu ao Valor, na sextafeira, que esses primeiros leilões vão exigir apenas entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões. Segundo ele, após esses leilões haverá reuniões com representantes da cadeia de trigo para avaliar se há necessidade de mais leilões.
Como já havia antecipado o Valor, o ministério pode fazer leilões de Pepro e PEP para escoar o volume de até 1,5 milhão de toneladas de trigo. O objetivo dos leilões é garantir a comercialização num momento em que as cotações no mercado doméstico estão abaixo do preço mínimo, de R$ 38,65 por saca para o trigo pão tipo 1. O que tem derrubado as cotações é a ampla oferta global e as estimativas que apontam para uma grande safra brasileira em 2016 de 6,3 milhões de toneladas.
Na visão de Hugo Godinho, analista do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), a decisão deve ser positiva para o setor produtivo. "Hoje, o trigo de panificação está a R$ 35 a saca, abaixo do preço mínimo de R$ 38,65. Com esses leilões, o governo usa R$ 3 para escoar esse produto para dentro do Brasil. Não é a salvação da lavoura, mas ajuda a cobrir os custos", afirmou Godinho.
Fonte: Valor Econômico/Por Cristiano Zaia e Kauanna Navarro