O Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta semana, identificou em fevereiro tendência de alta nos fretes rodoviários cobrados para transporte de soja, com aumento que superam até 50%, registrado em Goiás. De acordo com a avaliação da entidade, o aumento do volume da colheira e o período chuvoso em regiões produtores foram os principais fatores que determinaram a elevação dos preços cobrados pelas transportadoras.
E a expectativa da Companhia é de que, com a previsão de safra recorde da soja, os próximos meses sejam marcados mais altas nos fretes rodoviários. A pesquisa analisou as principais rotas de escoamento do país, abrangendo dez estados, e considerando aspectos logísticos do setor agropecuário, a posição das exportações, a análise do fluxo de cargas e a movimentação de estoques da Conab.
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O superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, prevê elevação também nas taxas cobradas nas operações de exportação. “No mercado externo, oscilações cambiais, incertezas geopolíticas e o valor do petróleo devem continuar influenciando o preço dos fretes”, afirmou.
Segundo a Companhia, o monitoramento dos corredores logísticos mostrou o Arco Norte e o Porto de Santos (SP) como principais canais de exportação de soja e de milho no início de 2026. Pelo primeiro, houve o escoamento de 40,8% da produção de milho e 38,4% da produção de soja. Já pelo terminal paulista foram exportados 33,5% da safra de milho e 36,8% da de soja.
De acordo com o Boletim, no estado de Mato Grosso, principal estado produtor de grãos no país, o volume alto de soja colhida manteve os fretes com tendência crescente, com valores até 19% mais elevados que no mês anterior. No vizinho Mato Grosso do Sul, também foi verificada a elevação das taxas, com registro de rotas que ultrapassaram os 30% em relação ao mês de janeiro.
Em Goiás, informa o Boletim, o excesso de chuvas impactou o plantio e a colheita, mas, mesmo com a dificuldade para o avanço das máquinas usadas para colher os grãos e os gargalos logísticos, o estado apresentou alta ainda maiores nos fretes, superiores a até 50% em alguns locais. A publicação ressalta ainda que a primeira quinzena de fevereiro foi sintomática quanto à instabilidade climática, com frota retida em virtude da impossibilidade de carregamento e descarga, e que, com a entrada da nova safra de soja e retenção do milho, a demanda por infraestrutura logística e armazenagem foi ampliada.
No Distrito Federal, os fretes rodoviários apresentaram aumento máximo de 6% em relação ao mês anterior. O Boletim avalia que o reajuste foi influenciado pelo custo local do diesel, pelo reajuste superior a 3% no piso mínimo do frete em janeiro e por fatores macroeconômicos, além da entrada da safra. O documento prevê ainda que o mês de março deve se caracterizar pelo pico de incremento das cotações de fretes, em função do ápice do escoamento da soja e do milho.
Na Bahia, os fretes cresceram em proporção à alta da demanda por serviços na região Centro-Oeste, que redirecionou os prestadores. Em relação a janeiro, os valores não ultrapassaram o percentual de 10%. O milho apresentou pequena valorização no mercado local, mas, segundo o Boletim, com a intensificação da colheita da primeira safra nas próximas semanas, o preço do frete tende a subir.
Ainda de acordo com o levantamento da Conab, a colheita de soja no sul do Maranhão provocou o aumento médio de 5% dos fretes em algumas rotas, em comparação com o mesmo período do ano passado. No vizinho Piauí, o início do escoamento da soja também aqueceu a logística, com fretes em média 11% superiores aos valores do mês de janeiro.
Em Minas Gerais, enquanto os fretes tiveram crescimento geral quando comparados ao mês anterior, o frete para transporte de café caiu nas rotas com destino ao sul do estado. Segundo a Conab, as exportações de grãos pelos produtores mineiros continuam crescendo, com destaque para produtos de maior valor agregado e para o café.
No Paraná, houve oscilação na demanda e nos preços de acordo com as particularidades das rotas regionais e a disponibilidade de cargas de retorno. Já em São Paulo, os fretes mantiveram estabilidade e tendência a queda, mas com expectativa de que, com a colheita de soja, sigam a tendência de alta.
O Boletim Logístico da Conab identificou também que as importações de fertilizantes e adubos aumentaram em fevereiro de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. No mês, o Brasil importou 2,38 milhões de toneladas de fertilizantes, o que, segundo a entidade, garante margem de segurança para o plantio das próximas safras.
















