A aquisição de dezenas de portos globais, incluindo ativos importantes no Canal do Panamá, por 23 bilhões de dólares, e com apoio da BlackRock, corre o risco de fracassar depois que a gigante estatal chinesa de transporte marítimo Cosco exigiu participação majoritária no negócio, informou nesta segunda-feira (29) o site especializado em navegação, indústria naval e comércio internacional Hellenic Shipping News. Segundo ele, três pessoas familiarizadas com as negociações disseram que a BlackRock e a Mediterranean Shipping Company (MSC) estavam considerando a possibilidade de desistir do acordo para comprar os portos da CK Hutchison caso a Cosco insistisse em obter uma participação majoritária.
A CK Hutchison, que tem sede em Hong Kong, anunciara em março que venderia 43 portos em 23 países, incluindo dois no Canal do Panamá, para um consórcio formado pela BlackRock e uma subsidiária da MSC, o grupo suíço-italiano de transporte marítimo. O acordo foi elogiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu "retomar" o canal, e reprovado em Pequim, que afirmou que o acordo representava ameaça aos interesses nacionais da China.
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Desde então, autoridades chinesas têm trabalhado discretamente para reformular o acordo, pressionando ao exigir que ele se submeta ao processo de revisão de fusões de Pequim, mesmo que nenhum ativo no continente esteja envolvido. Em seguida, a Cosco foi convidada a se juntar à BlackRock e à MSC como parceira na transação, numa tentativa de ajudar o acordo a obter a aprovação dos órgãos reguladores chineses.
As negociações iniciais incluíram a possibilidade de a Cosco deter participação de 20% a 30% nos 41 portos globais da CK Hutchison, excluindo os dois no Panamá que Trump alegou estarem sujeitos à influência chinesa. Outros portos incluídos no acordo são o Thamesport, no Reino Unido, e Rotterdam, um dos maiores portos da Europa.
Mas o grupo estatal chinês exigiu participação majoritária no consórcio, disseram pessoas familiarizadas com as negociações. Elas acrescentaram que não estava claro se a exigência da Cosco era posição de negociação ou exigência de Pequim. O americano Wall Street Journal foi o primeiro a noticiar a exigência da Cosco de participação majoritária.
Fontes familiarizadas com o processo informaram que as negociações estão em andamento e que qualquer acordo bem-sucedido dependeria, em última análise, da melhora das relações entre Estados Unidos e China em 2026. Os termos iniciais do acordo, de março, dariam à BlackRock participação majoritária nos portos em ambas as extremidades do Canal do Panamá, enquanto a MSC, controlada pela família Aponte, se tornaria a proprietária majoritária dos demais 41 portos da CK Hutchison fora da China, incluindo os do Sudeste Asiático, Europa e Oriente Médio.
As ações da CK Hutchison Holdings em Hong Kong subiram 33% nos dois dias seguintes ao anúncio da transação, em março. A BlackRock se recusou a comentar. A CK Hutchison, a Cosco e a MSC não responderam aos pedidos de comentários. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que desconhecia a situação.















