O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse acreditar que o recente aumento na detenção em portos da China de navios com bandeira panamenha pode estar relacionado ao uso de instrumentos econômicos em represália a decisões judiciais no Panamá que anularam uma concessão portuária no Canal do Panamá a um grupo chinês. De acordo com dados da Lloyd's List Intelligence, esses casos chegaram a quase 70 desde 8 de março, ultrapassando os níveis usuais para esse tipo de operação.
Segundo Rubio, essas medidas poderiam afetar o Estado de Direito no país centro-americano. A Comissão Marítima Federal dos Estados Unidos também informou que está monitorando o aumento na detenção em portos chineses de embarcações registradas no Panamá
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Em janeiro, a Suprema Corte do Panamá declarou inconstitucional o marco legal que sustentava a concessão outorgada em 1997 à Panama Ports Company, subsidiária do grupo chinês CK Hutchison, com sede em Hong Kong, para operar os terminais de Balboa e Cristóbal, um na costa do Pacífico e outro na do Atlântico do canal. A decisão foi tomada após pressão dos Estados Unidos para limitar a influência chinesa em torno do Canal do Panamá, por onde passam aproximadamente 5% das mercadorias do comércio marítimo global.
As autoridades chinesas rejeitaram as acusações feitas por Washington, e um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Chica classificou as alegações como infundadas e parte da tentativa americana de exercer controle sobre o canal. Além disso, o governo chinês chamou a decisão do tribunal panamenho de ação de má-fé.
A operadora portuária chinesa CK Hutchison, que administrou os terminais por quase três décadas, contestou a decisão judicial, argumentando que ela constituiu expropriação ilegal. A empresa iniciou processo de arbitragem internacional buscando indenização superior a dois bilhões de dólares.
















