O Porto de Santos receberá, nesta semana, mais um navio procedente da região onde foram confirmados casos de ebola, no Oeste da África. A embarcação deve chegar ao cais santista na próxima sexta-feira (12).
De acordo com informações apuradas pela Reportagem, o navio ainda não têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para atracar no cais santista. Trabalhadores que irão atuar nessas embarcações também não foram informados sobre a procedência dos cargueiros.
No total, 3.968 pessoas foram infectadas pelo vírus ebola em cinco países africanos - Guiné, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Congo. O número de mortos atingiu a marca de 2.105, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Temendo a contaminação através de navios procedentes destes países, trabalhadores portuários pediram à autoridade sanitária um tratamento diferenciado no caso de embarcações vindas do Oeste da África. Além da vistoria presencial antes da concessão da Livre Prática (documento que atesta as condições sanitárias e autoriza a atracação), eles querem ser avisados sobre a procedência das embarcações.
“Nós precisamos saber quando esses navios (procedentes das regiões endêmicas) vêm porque os trabalhadores precisam tomar maior cuidado na hora das operações. Mas, infelizmente, só ficamos sabendo através da imprensa”, destacou o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.
Na sexta-feira (12), está prevista a chegada ao Porto de Santos do navio Mandarin Hantong, que tem bandeira de Singapura. Procedente de Lagos, a capital da Nigéria, a embarcação fará o carregamento de grãos e, em seguida, retornará ao país africano.
Uma outra embarcação, o graneleiro Paros, de bandeira liberiana, estava prevista para chegar ao complexo santista nesta quarta-feira (10), porém a data foi alterada. A nova data de atracação do cargueiro ainda não foi divulgada. Segundo o serviço Semafórico, que levanta dados sobre a movimentação de navios no Porto de Santos, a embarcação passou pelo Porto de Matadi, no Congo.
Procedimentos
Cargueiros que estiveram em locais onde há casos de ebola há menos de 21 dias deverão passar por inspeção da Anvisa, que irá verificar se algum tripulante tem sintomas como febre.
Mas, apenas em alguns casos, os agentes são enviados a bordo para uma checagem. Isto porque, mesmo com a gravidade da doença, a Vigilância Sanitária leva em conta apenas as informações dos comandantes das embarcações, obrigados a prestar esses dados devido a um tratado internacional
Se há suspeita de contaminação, o procedimento inclui o isolamento dos pacientes e sua remoção por equipes do Samu com treinamento específico para este tipo de atendimento. O Hospital Emílio Ribas, na Capital, é o local para onde os casos suspeitos de ebola devem ser encaminhados.
Fonte: Tribuna Online/Fernanda Balbino
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