A movimentação econômica na Estação Aduaneira, o porto seco de Uberaba, ascendeu de janeiro a setembro deste ano, gerando um volume financeiro 26% maior do que no mesmo período do ano anterior, totalizando mais de R$ 600 milhões de dólares, segundo a Receita Federal. A chegada de mercadorias importadas pelo porto de Santos explica o momento positivo: há dias em que cerca de 40 veículos passam pelo local para tornarem as importações legais perante a fiscalização brasileira.
O delegado da Receita Federal, Sizenando Ferreira destaca que a quantia é significativa e se torna relevante com a contribuição de cidades vizinhas. “É bastante significativo para um porto seco do interior. É uma quantia bem representativa. Se comparar com Uberlândia, pelos últimos dados, eles estão com 10% desse valor. Temos percebido que o que atrai o importador é a rapidez com que são desembaraçadas as importações”, explicou.
Os motoristas chegam com containers cheios e precisam esperar para levar um vazio. O motorista Renê Roberto afirma que a demora faz parte do processo devido à quantidade de produtos para serem desembaraçados. “Geralmente chegamos cedo e saímos no final da tarde. Das últimas vezes que viemos demorou um pouco mais, na última saímos por volta das 19h”, disse.
O auditor fiscal do porto seco, Lourival Carvalho, afirma que os caminhões que formam fila aguardam para a carga das mercadorias desembaraçadas. O tempo médio para a conclusão do processo de distribuição não ultrapassa seis horas.
Uma das indústrias que depende do porto seco trabalha com eletrodomésticos e ferramentas, com destaque para a produção e ferro a vapor. São fabricadas 10 mil unidades diariamente. O vice-presidente Domingos Dragone afirma que a unidade já produziu 80% do que o país consumia. A importação de produtos da China atualmente corresponde a 65% e refletiu na redução da produção local. “O fator cambial ajuda isso. A gente inibe que o real se valorize. Viemos de patamares de 1,80 e 1,90 e chegando a 2,50, mas o estável é 2,20. Esse perfil vai mudando, o produto local fica mais caro”, disse.
Os produtos importados já chegam montados, prontos e embalados. Segundo o vice-presidente, tal processo reduz os investimentos em até 20%. “Posso dar um exemplo de mão-de-obra, que no Brasil um funcionário que receba 100 salários ele custará para empresa, com todas as despesas, encargos e benefícios, 250. Na China, alguém que ganhe os mesmos 100 salários, ela custa até 130”, explicou.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Altamir Roso, afirma que a produção local apresenta queda por falta de confiança em vários setores. “A indústria atualmente passa por um processo de decréscimo da sua atividade produtiva. Isso já vem de alguns anos e falta segurança para o empresário, tanto jurídica como de qualidade de investimento”, afirmou.
Fonte:Do G1 Triângulo Mineiro
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