A Autoridade Portuária de Santos assinou, em 20 de julho, memorando de entendimentos com o porto chinês de Ningbo-Zhoushan para estudar operações de transbordo off shore de soja na costa de Santos, permitindo que navios capesize recebam cargas em alto-mar a partir de embarcações menores.
O acordo prevê a formação de um grupo de trabalho bilateral para troca de informações técnicas e regulatórias, com foco em viabilizar embarques combinados entre Santos e Ningbo-Zhoushan, hoje o maior porto do mundo em tonelagem. A meta é que navios capesize, com capacidade típica acima de 150 mil toneladas, possam completar cargas de soja recebidas no cais santista por meio de operações de transbordo em alto-mar, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência do escoamento.
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Atualmente, os maiores graneleiros que atracam em Santos são da faixa de 80 mil toneladas de porte bruto, limitados pelas condições de calado e infraestrutura do canal de acesso. Ao transferir parte da carga para navios maiores já na costa, a Autoridade Portuária busca diminuir o custo médio de frete por tonelada e acelerar o giro dos navios menores, que poderiam retornar mais rapidamente ao terminal para novos carregamentos.
Do lado chinês, Ningbo-Zhoushan encerrou 2025 com mais de 1,4 bilhão de toneladas movimentadas, mantendo o posto de maior porto do mundo em carga total pelo 17º ano consecutivo, segundo dados oficiais divulgados pela autoridade portuária. No mesmo período, o porto superou pela primeira vez a marca de 43 milhões de TEU em contêineres, consolidando-se entre os três maiores hubs globais nesse segmento.
A cooperação entre Santos e Ningbo-Zhoushan insere o principal porto brasileiro em uma agenda de ajuste fino da logística de exportação de commodities, em linha com movimentos internacionais de uso mais intensivo de navios de grande porte e operações off shore para ganho de escala. Caso os estudos avancem para projetos piloto, o modelo poderá influenciar estratégias de terminais graneleiros e armadores que operam soja na costa brasileira, com impacto direto na estrutura de fretes e na competitividade do produto em rotas de longo curso.













