As vendas de ativos anunciadas pela Petrobras, mesmo abaixo da meta estabelecida para 2016, demonstram o compromisso da nova gestão com a desalavacagem. Mas também ressaltam um outro risco, o jurídico, opina Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos.
O principal motivo para o montante pensado inicialmente não ser alcançado foi o impedimento da Justiça Federal do Sergipe sobre a alienação de fatia nos campos de Tartaruga Verde e Baúna por enquanto, lembra Soares. Um evento exógeno, portanto, à estatal, mas que atrasou seus planos.
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“A venda teve que ser adiada e isso traz, de fato, uma incerteza”, comenta o analista. “A companhia mudou seu presidente e está avançando em iniciativas quanto a governança corporativa e independência, mas agora um novo fato traz de volta à mesa um risco de interferência que pensava-se estar fora do jogo.”
Para Soares, parte da valorização observada nas ações da Petrobras durante 2016 — a empresa foi a que mais ganhou em valor de mercado durante o ano — sofreu uma desaceleração nos últimos meses por conta dessa incerteza e de outras, relacionada ao cenário político do país.
“O Judiciário como um todo toma um espaço muito grande no processo decisório e temos que avaliar isso, como vai se desenrolar o jogo político no Brasil”, afirma o analista da Ativa. “Se a Justiça ficar mais agressiva, pode interferir mais na Petrobras e já vemos o investidor estrangeiro com o pé mais no freio por causa disso.”
Sobre os ativos vendidos em si, o Complexo Petroquímico do Suape, a participação na Guarani e a refinaria Nansei Sekiyu, Soares comenta que não há surpresa. O mercado já aguardava há tempos essas operações e os valores ficaram mais ou menos dentro do que já se especulava, diz.
“Acho que a Petrobras está cumprindo até que bem estreitamente seu cronograma e vai colher os frutos se atingir a meta de 2,5 vezes de alavancagem [dívida líquida/Ebitda]”, opina. “Nossa análise da companhia mesmo continua muito positiva e vemos espaço de alta para as ações ainda. Um risco em termos de fundamentos agora será o preço do barril do petróleo, que tem de ser acompanhado.”
Há pouco, as ações ordinárias da estatal operavam em queda de 1,3% na BM&FBovespa, para R$ 16,76. Os papéis preferenciais recuavam 0,81%, para R$ 14,66.
Fonte: Valor