Houve uma verdadeira revolução na navegação comercial desde 1968, quando iniciei minha trajetória em uma agência marítima, até este 2026. Olhando em retrospectiva, parece outro mundo – em termos de comunicações, tipos de navios, infraestrutura portuária e automação das operações.
Quando comecei, praticamente tudo era manual e baseado em papel. As comunicações eram lentas, dependentes de telex, telefone fixo e, muitas vezes, de mensagens transmitidas “de navio para terra” com grandes atrasos. Hoje, trabalhamos com sistemas integrados, rastreamento em tempo real e plataformas digitais que conectam armadores, terminais, autoridades e clientes de forma instantânea.
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Os navios também mudaram profundamente. Do transporte geral e dos primeiros porta-contêineres, vimos a especialização e o aumento de escala: graneleiros cada vez maiores, porta-contêineres gigantescos, navios de apoio altamente equipados, embarcações voltadas para eficiência energética e redução de emissões. A cabotagem ganhou relevância e se modernizou, e o apoio portuário se tornou uma operação altamente técnica, com rebocadores mais potentes e equipamentos sofisticados.
Nos portos, saímos de instalações simples, com baixa mecanização, para terminais automatizados, sistemas de gestão portuária, agendamento eletrônico de janelas, integração com ferrovias e rodovias, além de controles aduaneiros e sanitários cada vez mais digitalizados. A automação hoje está presente do gate ao guindaste, passando pelo planejamento de carga, segurança e monitoramento ambiental.
O que antes era uma atividade baseada principalmente em experiência empírica, hoje combina tecnologia, dados em tempo real, compliance regulatório e exigências ambientais rigorosas. Ainda assim, um ponto permanece constante: a importância das pessoas. A adaptação a tantas mudanças só foi possível graças aos profissionais que acompanharam, aprenderam e se reinventaram ao longo das décadas.
Pode parecer saudosismo, mas é apenas a nossa realidade. Quem viveu essa transformação sabe que não se trata de “olhar para trás com nostalgia”, e sim de reconhecer o quanto o setor evoluiu – e o quanto ainda vai mudar.
E qual a perspectiva de futuro no setor?
Vejo uma integração ainda maior entre tecnologia, sustentabilidade e qualificação humana:
- Navios mais eficientes e com menor pegada ambiental;
- Uso intensivo de dados e inteligência artificial nas decisões operacionais;
- Portos mais verdes, conectados e integrados às cadeias logísticas internas.
Depois de tantas mudanças, fica um aprendizado: a navegação comercial vai continuar se transformando, e a capacidade de se atualizar, colaborar e formar as próximas gerações será cada vez mais decisiva.
Ter vivido essa jornada – da navegação de “ontem” à logística marítima hiperconectada de hoje – é um privilégio. E é com essa experiência que sigo olhando para o futuro do nosso setor.
Richard Grantham é gerente da filial Rio Grande (RS) da Saam Towage no Brasil e em fase de transição para a aposentadoria.












