A entrada em vigor na próxima sexta-feira, 1º de maio, do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (EU), que envolve mais de 700 milhões de pessoas, vai zerar as tarifas de importação de mais de cinco mil produtos, equivalentes a mais de 80% das vendas do Brasil para o bloco europeu em 2025, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, alguns já são livres de alíquotas e outros 2.932, sendo 2,714 bens industriais, passarão a ter tarifa zero.
Na primeira fase de implementação, passa a valer a esfera comercial, que promove a redução de tarifas, compras governamentais e facilitação de comércio. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, avalia que o tratado representa oportunidade para o Brasil ampliar, de forma significativa, sua presença internacional, já que oferece acesso preferencial a um dos mercados mais estratégicos do mundo, além de previsibilidade regulatória.
De acordo com a CNI, hoje os países com os quais o Brasil mantém acordos comerciais respondem por 8,9% das importações mundiais e com a integração Mercosul-União Europeia o percentual pode chegar a 37,6%. Entre os produtos que terão redução estão alguns dos setores de máquinas e equipamentos, de alimentos, de metal, de máquinas, aparelhos e materiais elétricos e de químicos.
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Segundo dados divulgados pela Confederação, em 2025 a União Europeia importou 607,7 milhões de dólares do setor de máquinas e equipamentos brasileiro e, com a entrada em vigor do acordo, 95,8% desse volume entrarão imediatamente com tarifa zero no mercado europeu. Ao todo, estarão livres de tarifas de importação na União Europeia 802 produtos do setor, incluindo compressores, bombas para combustíveis, lubrificantes ou líquidos de arrefecimento e árvores de transmissão.
No setor de alimentos, ficam isentos 468 produtos, incluindo subprodutos, como animais não comestíveis, óleo de milho e extratos vegetais. No de Metalurgia, serão 494 itens, entre eles ferro-gusa, chumbo, barras de níquel e óxido de alumínio. A lista completa pode ser acessada no site do governo brasileiro nesta página na internet.
A CNI informou que ela, a Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU), a União Industrial Argentina (UIA) e a União Industrial Paraguaia (UIP) vão criar, em parceria com a BusinessEurope, um comitê do setor privado para monitorar e apoiar a implementação do acordo. O objetivo é apoiar as empresas dos dois blocos econômicos na adaptação ao novo ambiente de negócios e na identificação de oportunidades.
O acordo terá implementação progressiva, com a redução escalonada de tarifas para produtos sensíveis ao longo de prazos que podem chegar a até 10 anos na União Europeia e 15 anos no Brasil, com exceção de veículos elétricos, híbridos e novas tecnologias, que possuem um prazo de até 30 anos. Além disso, será publicada portaria para regulamentar as cotas de importação que serão distribuídas entre os países do Mercosul, com critérios e volumes permitidos para cada um.















