Maior fabricante de resinas das Américas, a petroquímica Braskem colocou em marcha um programa que prevê redução de R$ 400 milhões anuais em sua base de custos em relação aos valores atuais. Segundo o presidente da petroquímica, Carlos Fadigas, a companhia tem neste momento "dez frentes abertas" com vistas a atingir essa meta, que deve ser alcançada no decorrer de 2016.
"Não esperamos o efeito integral em 2015, mas perto disso em 2016", disse o executivo. Neste ano, a petroquímica vai reduzir o nível de investimentos, principalmente em razão da ausência de parada programada para manutenção em seus polos - 2014, excepcionalmente, teve duas paradas, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Até dezembro, a companhia prevê desembolsar R$ 2,14 bilhões, 15,5% abaixo dos R$ 2,53 bilhões aportados nas operações em 2014.
Excluindo do pacote os aportes previstos no complexo petroquímico que está em construção no México, de R$ 819 milhões, os investimentos previstos para este ano totalizam R$ 1,316 bilhão, queda de 31%. Conforme a Braskem, 85% do total será direcionado a manutenção, produtividade e eficiência operacional e a diferença será aportada em "outros projetos estratégicos".
O presidente da Braskem afirmou ainda que no segundo trimestre há possibilidade de a demanda local por resinas termoplásticas recuar, devolvendo a alta verificada entre janeiro e março, de forma que ao fim do semestre o resultado fique no "zero a zero". Nos três primeiros meses do ano, a demanda por resinas termoplásticas no país foi de 1,42 milhão de toneladas, crescimento de 9% e 6% em relação ao quarto trimestre e ao mesmo intervalo do ano passado, respectivamente.
"A demanda deve cair no segundo trimestre, para ficar no zero a zero no semestre. Mas pode haver transferência de compras por câmbio ou volatilidade do petróleo, como ocorreu no primeiro trimestre", observou. Segundo o executivo, o crescimento de 6% no início do ano deveu-se ao fato de clientes terem postergado compras no fim do ano passado, diante da expectativa de manutenção da queda dos preços do petróleo e da nafta.
A Braskem registrou lucro líquido atribuído a controladores de R$ 251,4 milhões no primeiro trimestre, queda de 38% na comparação anual, diante do desempenho operacional mais fraco da base de comparação e da adoção da contabilidade de "hedge" (proteção financeira).
A receita líquida caiu 14%, para R$ 10,2 bilhões, enquanto o custo dos produtos vendidos recuou 17%, para R$ 8,59 bilhões - melhor por conta dos R$ 243 milhões, ou R$ 220 milhões líquidos, de PIS e Cofins, restituídos pela Petrobras à companhia conforme previsto no aditivo ao contrato de fornecimento de nafta firmado entre as duas. O Ebitda ajustado foi de R$ 1,49 bilhão, 9% a menos.
(Fonte: Valor Econômico/Stella Fontes | De São Paulo)
PUBLICIDADE