Diante do baixo crescimento do consumo mundial de aço, estimado em 0,5% em 2015 pela Worldsteel, da forte retração das vendas no Brasil e da manutenção do excesso de capacidade instalada global do setor, a Gerdau iniciou 2015 segurando investimentos. Os aportes no primeiro trimestre caíram 9,5% ante igual período de 2014, para R$ 612 milhões, e 1,5% acima da depreciação dos ativos de janeiro a março.
A queda está em linha com o plano de limitar investimentos a R$ 1,9 bilhão no ano, ante R$ 2,3 bilhões de 2014. Ontem, André Gerdau Johannpeter, presidente, disse que o grupo tem ainda uma "preocupação muito grande": o aumento das importações de aço nos países da América Latina onde opera, sobretudo da China.
As importações na região subiram 32% no trimestre comprado com 2014, para 4,4 milhões de toneladas, enquanto no Brasil houve queda na área de longos, disse o executivo. A entrada de aço também subiu nos EUA, mas o cenário é "positivo" no país devido à expansão "moderada" da demanda americana. "Se [a importação] for danosa à nossa atividade [no mercado americano] vamos tomar providências", acrescentou o vice-presidente de finanças André Pires de Oliveira Dias, sem especificar.
Mesmo assim, Johannpeter confirmou que o 0laminador de chapas grossas na usina de Ouro Branco (MG) entrará em operação entre o terceiro e o quarto trimestre de 2016, apto a fazer 1,1 milhão de toneladas anuais. Os investimentos do trimestre incluíram as obras da aciaria na Sipar, na Argentina, que deve entrar em operação "mais para a metade" do ano que vem.
No México, a aciaria da nova usina de perfis estruturais começou a operar em janeiro e o laminador entrará em testes neste mês para produzir definitivamente a partir de junho. Em Monroe (EUA), o novo laminador de aços especiais entrou em operação em fevereiro.
Segundo o executivo, a utilização média da capacidade instalada do grupo no mundo está em 70%, igual ao informado no início de março. No Brasil, o índice está entre 70% e 75%, na América do Norte entre 60% e 65% e no segmento de aços especiais, em torno de 65%, explicou. Na divisão da América do Norte, a Gerdau espera manter um desempenho "estável" daqui para frente, apesar da expectativa de vendas menores. De acordo com Dias, a manutenção dos preços na região devem compensar ao menos em parte esta queda.
Johannpeter disse prever "alguma recuperação" na demanda no Brasil, mas considera o ambiente doméstico "difícil" diante das estimativas de Produto Interno Bruto (PIB) negativo no ano. "A visão para o aço longo no Brasil está pior, não há perspectivas boas para construção civil e setor imobiliário. No lado da infraestrutura, sobram alguns projetos, mas com os problemas atuais das empreiteiras, a situação também não é boa".
A Gerdau quer manter a expansão das exportações do Brasil, aproveitando o dólar mais forte. No trimestre, enquanto as vendas locais (exceto aços especiais) caíram 13,2% em volume, para 1,25 milhão de toneladas, e 17,4% em receita líquida, a R$ 2,78 bilhões, os embarques subiram 96,8% e 66,1%, para 305 mil toneladas e R$ 490 milhões, respectivamente.
No consolidado, a receita líquida da Gerdau recuou 1% no trimestre, para R$ 10,4 bilhões e as vendas físicas caíram 5,6%, para 4,1 milhões de toneladas. O Ebitda caiu 8,9%, para R$ 1,09 bilhão, e o lucro líquido encolheu 39,3%, para R$ 267,4 milhões, influenciado pela alta de 789% no resultado financeiro negativo, de R$ 898 milhões.
Fonte:Valor Econômico/Sérgio Ruck Bueno e Renato Rostás | De Porto Alegre e São Paulo
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