A Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) deixou de pagar nesta segunda-feira (26) os juros devidos aos credores dos seus títulos e anunciou que vai reestruturar a sua dívida no exterior, que chega a US$ 3 bilhões.
A construtora contratou os assessores E. Munhoz Advogados, Moelis & Company e Cleary Gottlieb para negociar com os detentores dos títulos, em busca de uma redução no valor do débito e de um prazo de pagamento mais dilatado.
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Segundo nota divulgada pela empresa, o objetivo é “priorizar a aplicação dos recursos em caixa na atividade operacional” –ou seja, adequar a dívida ao novo tamanho da Odebrecht, que encolheu brutalmente depois de ser apanhada pagando propina a políticos pela Operação Lava Jato.
A carteira de obras da construtora, que chegou a ser de US$ 33,9 bilhões em 2014, estava em apenas US$ 9,8 bilhões até o segundo trimestre de 2018. Com poucas novas obras, o caixa da companhia sangrou durante este período e registrava apenas US$ 458 milhões em junho.
Diante dos fracos resultados operacionais, os credores vinham esperando por esse desfecho. Em abril, a Odebrecht já havia atrasado o pagamento de R$ 500 milhões de juros de sua dívida. O montante só foi quitado depois de obter um empréstimo emergencial com Itaú e Bradesco.
No mês passado, a empresa deixou novamente de quitar mais US$ 11,5 milhões em juros e entrou no chamado período de "cura", um limite de 30 dias para regularizar a situação antes de ser considerada inadimplente. O prazo terminou nesta segunda-feira (26) sem a realização do pagamento.
Ainda não foi batido o martelo, mas é provável que a companhia acabe recorrendo a uma recuperação extrajudicial dos seus títulos, o que significa que não recorrerá a Justiça para suspender todos os seus pagamentos e continuará pagando bancos, fornecedores e funcionários .
Por outro lado, a recuperação extrajudicial deve facilitar a negociação com os detentores dos títulos, que estão espalhados por diversas partes do mundo e acabam sendo difíceis de localizar. Através desse mecanismo, é possível fazer um acordo com credores que representem 60% da dívida e obrigar os demais a seguir os novos termos.
Fonte: Folha SP