A Petrobras protocolou no Tribunal Superior do Trabalho pedido de conciliação para concluir as negociações salariais com os sindicatos dos petroleiros.
Na quinta (22), a categoria anunciou a aprovação de uma greve nacional para forçar a estatal a melhorar sua oferta. O movimento teve início à 0h desta sexta.
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Em comunicado interno, a Petrobras diz a seus empregados que a decisão de pedir conciliação foi tomada após a avaliação de "o momento exige uma nova instância de negociação".
"A Petrobras entende que fez uma proposta justa, considerando a situação financeira da empresa, e que a conclusão desse processo, que já dura mais de três meses, é necessária e benéfica para todas as partes", argumentou a companhia.
A última proposta da empresa é de reajuste de 6% retroativo a setembro e mais 2,8% a partir de fevereiro.
Os petroleiros reclamam, porém, da insistência na empresa em uma proposta para reduzir em 25% a jornada de trabalho, com corte equivalente no salário, que tem apoio de um grupo de empregados da área administrativa.
Em nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que não aceitará a mediação da Justiça.
"Trata-se de um jogo combinado. A FUP iria para ouvir a ameaça de um dissídio coletivo", diz a entidade, que controla 13 sindicatos.
A estatal diz a seus empregados que não se trata de um pedido de dissídio coletivo, quando a questão passa a ser decidida pela própria Justiça.
"Uma vez que foram realizadas quatro reuniões e apresentadas quatro propostas, todas elas com avanços que buscaram atender às demandas apresentadas pelos sindicatos dentro das limitações financeiras da Petrobras, a empresa decidiu buscar alternativas junto à Justiça para garantir que haja avanços nas discussões", argumentou a companhia.
Sindicatos e a direção da empresa discordam ainda em relação ao programa de venda de ativos da estatal, que prevê arrecadar US$ 34,6 bilhões até 2019 com a justificativa de que o dinheiro é necessário para reduzir o endividamento da companhia.
GREVE
A greve dos petroleiros foi iniciada em ritmo lento nesta sexta, com atrasos na troca de turnos em algumas unidades operacionais e manifestações em áreas administrativas.
De acordo com a Federação Nacional dos Petroleiros, que controla cinco sindicatos, houve atrasos na troca de turnos em terminais e térmicas e atos em edifícios no Rio e em São Paulo.
Nesta sexta, alguns sindicatos ainda estavam realizando assembleias para aprovar o indicativo de greve.
Fonte: Folha de São Paulo/NICOLA PAMPLONA DO RIO