Em um ano marcado por pequenas aquisições que reforçam sua estratégia de crescer no setor elétrico e no mercado externo, a WEG, multinacional brasileira de máquinas e equipamentos, leva avante seu plano de se consolidar como fornecedora de projetos completos em mais um segmento o de termelétricas. Além disso, decidiu antecipar seu projeto de internacionalização no fornecimento para energia eólica.
A oferta de "pacote completo" já ocorre com pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), por exemplo. Para essas, além do gerador e da turbina, a companhia garante o fornecimento de engenharia. No área de energia eólica, a WEG entrega parques completos.
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Segundo o presidente da empresa, Harry Schmelzer, em entrevista ao Valor, esse tem sido um movimento estratégico da empresa em diversas frentes em que atua. "A WEG era simplesmente fabricante de produtos geradores, fechamos essa estratégica com PCHs e eólica, e agora em termelétrica. Em solar, estamos caminhando".
Ao mesmo tempo, a companhia, que tem sede em Santa Catarina, amplia sua posição no mercado internacional. No caso de PCHs, por exemplo, Schmelzer destaca que a WEG já tem atuação em países da América Latina, como Peru e Colômbia.
Outro passo importante, explica, foi dado neste ano com a aquisição do negócio de turbinas eólicas de grande escala da Northern Power Systems (NPS), anunciada em outubro. Segundo Schmelzer, é a primeira engenharia da empresa cuja sede não é no Brasil.
Com esse movimento, a WEG passou a ser a única proprietária de uma carteira de patentes, projetos e softwares para manutenção de aerogeradores com mais de 1,5 megawatts (MW) de capacidade nominal, além de ficar com a equipe de engenheiros da empresa que faz pesquisa e desenvolvimento em energia eólica e com os contratos de operação e manutenção de algumas turbinas existentes.
O objetivo, conforme o executivo, é tentar viabilizar exportações para outros países da América do Sul a partir de produção no Brasil. Primeiro por ser um movimento natural da WEG, diz, de se desenvolver em um mercado no Brasil, o país de origem, e depois partir para atuação no mercado externo, mas também porque o mercado de geração de energia renovável já dá sinais de que pode impor dificuldades à cadeia a partir de 2018.
"Sem dúvida, estamos agilizando a busca de mercado externo, perseguindo negócio na Argentina, México e África do Sul porque vai haver um gap", disse. "A cadeia de produção terá problemas no Brasil em 2018 e 2019 e estamos antecipando um passo da internacionalização".
E esse foi apenas um dos três movimentos do tipo neste ano. Em março, a WEG informou o mercado que a compra de uma fabricante de motores elétricos também nos Estados Unidos, a Bluffton Motor Works. Neste mês, a empresa anunciou a aquisição do controle da TGM, fabricante brasileiro de equipamentos para acionamentos de geradores de energia elétrica com foco em energia renovável em termelétrica e eólica.
A TGM traz uma integração com o mercado externo, explica. Hoje, já conta com uma empresa similar na Europa. Em energia solar, afirma que é muito difícil definir quando a WEG deve partir para a frente internacional.
A WEG é uma empresa que apresentou, até setembro, receita líquida acumulada de R$ 6,99 bilhões, sendo que o mercado externo (exportação do Brasil e venda de unidades produtivas lá fora) responde por quase 60% R$ 4,1 bilhões. O lucro no período foi de R$ 772,2 milhões, que representa crescimento de 2,9%. Já o lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) caiu 8,1%, para R$ 1 bilhão.
Uma das áreas mais impactadas na empresa é a de equipamentos eletrônicos industriais. Aí, o investimento continua fraco devido à baixa expansão econômica global. Essa área de negócio representou no terceiro trimestre metade da receita líquida da WEG 34% no mercado externo. A parte de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD), responde por 30% da receita, sendo 18,5% no mercado interno, conforme dados do terceiro trimestre deste ano.
No Brasil, a perspectiva positiva ainda está em transmissão de energia elétrica. "Hoje não se consegue fazer parques eólicos porque não tem integração". A própria WEG, disse o presidente, vendeu um parque que ainda não está conectado. Lele lembra que o primeiro leilão de transmissão previsto em 2017 estima investimento de R$ 13 bilhões.
Para o executivo, o primeiro trimestre ainda será difícil no Brasil. Embora seja favorável às medidas que estão sendo tomadas pelo governo, como a aprovação da PEC do teto dos gastos, no curto prazo, Schmelzer não vê sinais de recuperação. "Ainda acho que 2017 vai ser um ano difícil".
Fonte: Valor Econômico/Por Victória Mantoan