A Shell anunciou ontem que vendeu por US$ 1 bilhão para a estatal Qatar Petroleum Internacional 23% do projeto Parque das Conchas, como são conhecidos os campos descobertos no bloco BC-10 da Bacia de Campos. A anglo-holandesa volta a ter 50% da área e deve concentrar esforços e recursos no desenvolvimento do bloco BM-S-54, no pré-sal da Bacia de Santos, onde é operadora.
A fatia vendida para a estatal do Qatar é a mesma adquirida da Petrobras em agosto do ano passado, em uma operação de bloqueio para evitar que a chinesa Sinochem comprasse os 35% oferecidos pela Petrobras por US$ 1,54 bilhão. Na ocasião a Shell e a indiana ONGC exerceram o direito de preferência.
A Shell adquiriu os 23% agora vendidos e a ONGC ficou com 12%. Mas acabou sócia dos chineses meses depois, quando adquiriu participação de 20% no campo gigante de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, onde as estatais CNPC e CNOOC compraram 10% cada.
Atualmente a Shell está em terceiro lugar entre os produtores de petróleo no Brasil considerando as áreas que opera, com uma produção de 44.207 barris de óleo equivalente (inclui petróleo e gás) por dia em novembro, levantamento mais recente divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mas, como a produção está crescendo com a entrada de novos poços no Parque das Conchas, a Shell informa que sua produção já chegou a 50 mil barris equivalentes por dia.
Considerando-se apenas a parcela que cabe à Shell da produção nos campos onde tem fatia acionária, sua produção era de 26.761 barris equivalentes por dia em novembro segundo a ANP. A Shell opera também os campos Bijupirá e Salema, na Bacia de Campos, onde tem 80%. E também os campos Ostra, Abalone e Argonauta, no Parque das Conchas. O desenvolvimento da produção nessa área está em sua segunda fase, que exigiu investimentos de US$ 2 bilhões.
Em julho do ano passado foi aprovada a terceira fase, com pico de produção estimado em 28 mil barris/dia. A Shell tem focado esforços nas áreas onde é operadora, e vendeu sua participação no BS-4 para a Barra Energia e Queiroz Galvão, que mais tarde se tornaram sócias da OGX quando a Petrobras vendeu sua parte.
Os esforços estão concentrados no BM-S-54, onde a Total tem 20% e que fica no pré-sal de Santos. Ali foi descoberto o prospecto Gato do Mato. Os indícios são de que o reservatório extrapola a área de concessão e por isso será necessário negociar com a PPSA, estatal responsável pela área do pré-sal ainda não concedida.
Fonte: Valor Econômico/Cláudia Schüffner | Do Rio
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