O fechamento do Estreito de Ormuz, devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e que envolve outros países do Oriente Médio, está gerando impacto no mercado global de seguros e resseguros, com efeitos que vão além do risco tradicional de guerra e ameaçando a capacidade de empresas do segmento. Segundo análise da Howden Re, divisão de resseguros do Grupo Howden, a interrupção no trânsito de embarcações pela região, por onde passam aproximadamente 20% do fluxo mundial de fornecimento de petróleo e parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL), causou flutuações nos prêmios de risco e obrigou à reconfiguração da cobertura em diversos segmentos, incluindo os de energia e de aviação.
De acordo com a análise, as interrupções no transporte marítimo levaram a aumentos acentuados nos prêmios de seguros de guerra, cancelamentos de apólices e migração quase total para planos de cobertura por viagem. Isso refletiu em crescente incerteza operacional em uma das rotas mais sensíveis do comércio global de energia.
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David Flandro, diretor de Análise da Indústria e Consultoria Estratégica da Howden Re, alertou que o maior risco está no efeito sistêmico porque, se a interrupção do fornecimento de energia se prolongar, aumentará a pressão inflacionária, taxas de juros ficarão mais altas e haverá possibilidade de deterioração generalizada do capital do setor. Ele avalia que essa combinação poderia afetar a capacidade de seguradores mais do que sinistros isolados relacionados a navios ou infraestruturas.
Andrew Foot, CEO da Howden Re, explicou que o impacto no setor de energia é muito mais complexo e que danos à infraestrutura, paralisações preventivas e interrupções prolongadas estão gerando riscos de perdas por interrupção de negócios, muitas das quais podem estar fora do escopo da cobertura tradicional em tempos de guerra. “Esse é um ambiente de risco altamente correlacionado que antes era considerado de risco extremo”, disse.
Já Richard Miller, CEO da Howden Re, informou que a disciplina de subscrição se tornou consideravelmente mais rigorosa e enfatizou que o foco do mercado não está mais na disponibilidade de capacidade, mas em como ela é estruturada e implementada. A avaliação dos especialistas é de que outros setores começam a mostrar sinais de tensão e que os de aviação, segurança cibernética e comércio estão sendo reavaliados por causa do crescente risco para cadeias de suprimentos globais.
A Howden Re alertou que o que antes era uma linha de negócios estável e confiável está se tornando um elemento estratégico fundamental, prevendo que haverá novos critérios na alocação de capacidade e ênfase crescente na agregação e definição de eventos. A avaliação de especialistas do setor é de que a interrupção prolongada do fechamento do Estreito de Hormuz pode levar a problemas de liquidez e estresse de crédito, afetando pagamentos, cartas de crédito e obrigações contratuais, com potencial impacto subsequente nos segmentos de negócios segurados.
Empresas do mercado de resseguros informam que ele continua, por enquanto, bem capitalizado e sem sinais de uma retirada generalizada. Mas há previsão de que, por causa da insegurança causada pela guerra, sejam feitos ajustes seletivos de preços, impostas condições mais rigorosas e que haja mais foco na gestão de agregações, especialmente com as renovações esperadas para o fim do primeiro semestre.
David Flandro explicou que o contexto expõe a fragilidade estrutural no setor e avaliou que o risco geopolítico pode se espalhar pelos mercados de seguros muito mais rapidamente do que os modelos tradicionais pressupõem. Isso, disse, reforça a necessidade de mais disciplina técnica, transparência e supervisão ativa em ambiente cada vez mais complexo e interconectado

















