A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) manifestou, nesta terça-feira (19), preocupação de que a imposição de cotas de exportação pela China possa reduzir a alta de vendas do produto brasileiro para o mercado externo. Segundo a entidade, os embarques de carne e derivados de bovinos geraram em abril a maior receita mensal de 2026, de 1,743 bilhão de dólares e crescimento de 28% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em volume, foram embarcadas 319,23 mil toneladas, com crescimento de 4% no mesmo período comparativo.
No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações alcançaram 6,083 bilhões de dólares, 31% a mais que no mesmo período do ano anterior, enquanto o volume chegou a 1,146 milhão de toneladas, com alta de 9%. O maior aumento percentual da receita em relação ao do volume embarcado foi determinado pela elevação dos preços internacionais, refletindo movimentos de valorização da arroba do boi gordo, além da valorização cambial
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No quadrimestre, a China se manteve como principal destino das exportações brasileiras, com 461.185 toneladas embarcadas, 19,4% acima do mesmo período de 2025, e receita de 2,693 bilhões de dólares, o que significou aumento de 42,9%. O país asiático respondeu por 44,3% de toda a receita das exportações brasileiras do setor, frente a 40,6% em 2025.
Segundo a Abrafrigo, nas vendas de carne bovina in natura, a participação da China subiu para 48,5% de janeiro a abril de 2026, ante 45,85% do mesmo período do ano anterior. A entidade estima que até abril de 2026, o Brasil tenha comercializado o equivalente a aproximadamente 70% da cota de 1,106 milhão de toneladas imposta pelos chineses para suas importações do produto brasileiro sem tarifa adicional de 55%.
Pelos cálculos da Abrafrigo, restariam em torno de 330 mil toneladas que poderão ser exportadas sem a taxação, volume correspondente a pouco mais de dois meses de vendas brasileiras para a China, considerando a média registrada em meses recentes. De acordo com a entidade, a imposição da tarifa de 55% tem gerado dúvidas e preocupações a exportadores da carne bovina brasileira, que temem perda de vendas e de receitas.
Ainda segundo Abrafrigo, as exportações de carne bovina in natura, que representam 91% das vendas externas totais do setor, totalizaram 5,552 bilhões de dólares de janeiro a abril de 2026, resultado 35% superior ao do mesmo período de 2025. No quadrimestre, o volume embarcado foi de 952,74 mil toneladas, com aumento de 15,43% em relação ao mesmo intervalo no ano passado.
Os Estados Unidos foram o segundo maior mercado de exportação da carne bovina brasileira in natura no quadrimestre, com alta de 14,7% na receita, chegando a 814,57 milhões de dólares, e de 14,24% no volume, com 135,64 mil toneladas. Somada toda a cadeia de produtos de derivados bovinos vendidos para compradores americanos, as receitas alcançaram 1,007 bilhão de dólares no primeiro quadrimestre de 2026, com alta de 16,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O Chile apareceu como terceiro maior importador da carne brasileira, com compras de 286,1 milhões de dólares, 35% a mais que nos primeiros quatro meses de 20025. Para a Rússia, o quarto principal destino do produto, houve crescimento de 46,9% nos embarques, que chegaram a 40.24 toneladas, e de 61,7% na receita, com 178,4 milhões de dólares. Em quinto lugar ficaram os Países Baixos, com 28.883 toneladas e 148,3 milhões de dólares, altas de 319,7% e 123,5% respectivamente.
Já as vendas para o Egito cresceram 53% em valor, para 130,4 milhões de dólares, e para os Emirados Árabes em 53,5%, atingindo 92 milhões de dólares. No Sudeste Asiático, destacou-se a Indonésia, com alta de 788,9% em volume, de 1.687 toneladas para 15 mil toneladas, e de 412,5% na receita, chegando a 41 milhões de dólares.
A Abrafrigo informou que registrou no primeiro quadrimestre de 2026 redução de vendas para a Argélia com queda de 59,4% na receita, para 54 milhões de dólares, e também para a Arábia Saudita, o Reino Unido, Singapura e Espanha.
Na divisão por regiões, o Extremo Oriente manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira, com 2,86 bilhões de dólares e alta de 43%, impulsionadas sobretudo pela China, enquanto as vendas para o Sudeste Asiático cresceram 33% e para a Europa Ocidental, 42% em receitas. Segundo a Abrafrigo, no quadrimestre, 112 países aumentaram e 52 reduziram suas compras do produto brasileiro.














