A empresa suíça de energia WinGD anunciou que fornecerá motores a etanol para equipar dois navios graneleiros de grande porte (VLOCs), de 325.000 dwt, que serão construídos no estaleiro chinês Beihai Shipbuilding para a Shandong Shipping Corporation e afretados pela brasileira Vale por 25 anos. As embarcações serão entregues no início de 2029, e o contrato prevê o fornecimento de outros motores do tipo, caso sejam encomendados mais navios com as mesmas características.
De acordo com a WinGD, os motores serão os primeiros projetados para funcionar principalmente com etanol para instalação em navios de longo curso. São modelos '6X82DF-M/E' de seis cilindros e 820 milímetros (mm) de diâmetro, que permitirão flexibilidade no uso de combustível, podendo operar com etanol, metanol ou gasóleo marítimo.
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A empresa suíça explicou que oferece flexibilidade de combustível em toda a sua linha de motores de dois tempos de ciclo Diesel, incluindo as plataformas X-DF-A, movidas a amônia, e X-DF-HP, a gás natural liquefeito (GNL) de alta pressão. O diretor executivo de vendas da WinGD, Volkmar Galke, disse que o desenvolvimento de motores a etanol é resultado de mais de uma década de pesquisas sobre combustíveis alcoólicos, incluindo também o metanol.
Ele classificou a encomenda pela Vale, que definiu como afretador e operador de navios de primeira linha, como a validação das pesquisas. “É um sinal claro de que a tecnologia de bordo e a infraestrutura de combustível para o etanol estão prontas, dando confiança a outros que consideram o produto como opção para a descarbonização marítima”, afirmou.
O diretor de transporte marítimo da Vale, Rodrigo Bermelho, afirmou que a opção pelo etanol como combustível alternativo faz parte da estratégia da empresa de combinar flexibilidade e eficiência nos navios que transportam minério e de buscar colocar a companhia em posição de destaque para a transição energética no transporte marítimo e impulsionar iniciativas semelhantes. “Temos o prazer de firmar parceria com a Shandong e a WinGD no primeiro pedido mundial de construção naval de navios oceânicos movidos a etanol”, explicou.
A avaliação da mineradora é de que o etanol como combustível está se tornando mais disponível e competitivo em termos de custo em mercados como o Brasil. A expectativa é de que os graneleiros reduzam as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em até 90% em comparação com o óleo combustível pesado.














