O Conselho Mundial do Transporte Marítimo (WSC - World Shipping Council) considerou positivas as revisões práticas do EU-ETS (sistema de comércio de emissões da União Europeia) propostas pela Comissão Europeia para acelerar a adoção de combustíveis marítimos alternativos e reinvestir as receitas na descarbonização do setor. A associação, que representa a indústria global do transporte marítimo de contêineres e veículos, apontou, no entanto, que existem riscos de desvio de foco nas regras sugeridas para os portos.
O WSC avalia que a proposta do mecanismo de combustíveis anunciada para o setor marítimo, nesta sexta-feira (17), segue a lógica política já utilizada no setor de aviação. Para a associação, contribuir para reduzir a diferença dos preços entre combustíveis convencionais e alternativos pode incentivar sua adoção, apoiar investimentos em produção e posicionar a Europa como um dos principais hubs de abastecimento de combustíveis alternativos.
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“O setor de navegação de linha já investiu mais de 160 bilhões de euros em navios que podem operar com combustíveis alternativos, mas esses navios mais limpos precisam de combustíveis mais limpos”, disse o vice-presidente de meio ambiente e clima do WSC, Simon Bergulf. “Reduzir a diferença de preços é uma das maneiras mais práticas para levar esses combustíveis aos tanques dos navios”, acrescentou.
Combustíveis marítimos sustentáveis ainda podem custar de 100% a 400% mais do que os insumos convencionais, o que torna essa diferença de preço uma das principais barreiras de adoção. Na avaliação do conselho, reinvestir uma parcela significativa das receitas do ETS na descarbonização do setor marítimo é uma medida ‘sensata’ e ‘necessária’ para alcançar as metas climáticas da União Europeia.
O WSC acredita que as receitas do ETS também poderiam ser usadas para o fortalecimento dos portos europeus, inclusive por meio da eletrificação e da infraestrutura de combustíveis alternativos, beneficiando todos aqueles que escalam os portos europeus e contribuem com o sistema de comércio de emissões.
O conselho também reconhece que o atual modelo do ETS pode fazer com que os portos europeus fiquem mais caros e menos competitivos para movimentação de cargas transportadas entre dois mercados fora da União Europeia e transbordadas no velho continente. No entanto, o conselho está preocupado com a proposta da Comissão de expandir a lista de portos vizinhos não pertencentes à UE para transbordo, com base apenas na infraestrutura.
Portos localizados a até 150 milhas náuticas do território da UE podem ser penalizados simplesmente porque terem águas profundas, berços extensos e guindastes de cais — STS (ship-to-shore), independente de ocorrer ou não transbordo. “O ETS deveria ter como foco a redução das emissões, e não reduzir a competitividade dos portos vizinhos não integrantes da UE”, disse Bergulf.
O WSC manifestou que gostaria de ver um compromisso mais firme nas revisões finais do ETS contra a dupla cobrança, uma vez que uma medida global seja adotada na Organização Marítima Internacional (IMO). “Essa certeza fortaleceria a posição da Europa nas negociações globais e apoiaria o progresso da IMO”, afirma Bergulf.
Com o comércio da União Europeia transportado por linhas marítimas regulares estimado em 2,5 trilhões de euros por ano, o tráfego de produtos pelo mar é essencial para o países do bloco. De acordo com o WSC, 90% dos produtos entram e saem da UE pelo mar. Por ano, a navegação de linha representa mais de 65 mil escalas em cerca de 130 portos da União Europeia. A entidade destacou que os navios conectam a Europa a mais de 900 portos ao redor do mundo, alcançando mercados chave e construindo importantes relações internacionais.













