A Shell Brasil e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) anunciaram, nesta quinta-feira (9), a formalização de acordo de cooperação para criação do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad), voltado para a recuperação de áreas degradadas na Amazônia. Com investimento inicial de R$ 18,7 milhões da Shell Brasil, via cláusula de PD&I da Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e de Biocombustíveis (ANP), o objetivo da entidade será o desenvolvimento de tecnologias para soluções baseadas na natureza.
Sediado no Inpa, em Manaus, o Centro, de acordo com seus idealizadores, integrará pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação, conectando governo, comunidade científica, empresas e startups. A proposta é fortalecer cadeias produtivas de espécies nativas, conservar recursos genéticos e estimular novos negócios ligados à restauração florestal e ao mercado de carbono. A iniciativa prevê também a modernização da infraestrutura de pesquisa do Inpa.
PUBLICIDADE
O secretário da Subsecretaria da Amazônia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Dorival dos Santos, classificou a criação do Cibrad como um marco para a ciência brasileira e para o futuro da Amazônia. “Tenho plena confiança de que o Centro se tornará referência internacional em biotecnologia aplicada à restauração florestal e à economia de baixo carbono”, disse.
De acordo com Santos, mais do que um centro de pesquisa, o Cibrad será espaço de convergência entre ciência, inovação e compromisso com o futuro da Amazônia. “Proteger a floresta, restaurar seus ecossistemas e gerar conhecimento a partir dela é investir diretamente no futuro do Brasil e do planeta”, afirmou.
Alexandre Breda, gerente de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil, explicou que o objetivo da criação do Centro é mostrar como a inovação aberta é essencial para buscar soluções para desafios complexos, como a recuperação de áreas degradadas na Amazônia. Ele explicou que a iniciativa é resultado de parceria entre a empresa e o Inpa, iniciada em 2022, quando se formou a rede de instituições e pesquisadores que vão atuar no Cibrad.
O Centro reúne projetos que abrangem instituições de pesquisa dos nove estados da Amazônia Legal. Entre as iniciativas estão o NanoRad’s 2.0, que aplica abordagens bio e nanotecnológicas para acelerar plantios florestais, e o Amazon GeneBank, dedicado ao apoio a programas de melhoramento genético e à conservação de sementes e microrganismos da Amazônia Legal.
O diretor do Inpa, Henrique Pereira, avaliou que com o Centro será dado um passo à frente para sistematizar a pesquisa associada a plantios florestais com o objetivo de estruturar cadeias produtivas baseadas em espécies nativas. Segundo ele, isso envolve avançar em silvicultura de alta performance e conectar o conhecimento a agendas estratégicas, como o mercado de carbono. “Esse alinhamento é fundamental para o que esperamos construir nas próximas décadas na Amazônia”, explicou.
As pesquisas abrangem dez espécies florestais amazônicas consideradas com potencial para restauração, como castanheira, andiroba, cumaru, mogno, copaíba e seringueira. Além dos projetos conduzidos no âmbito do Inpa, o Cibrad conecta iniciativas desenvolvidas em parceria com startups, como Krilltech e Bioflore, o que, segundo os idealizadores, amplia a possibilidade de aplicação prática das pesquisas e fortalece o ecossistema de inovação voltado à restauração florestal na Amazônia.
A Amazônia tem cerca de 20% de áreas desflorestadas, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados. Para mudar essa realidade, de acordo com o pesquisador do Inpa e coordenador do Cibrad, José Francisco de Carvalho Gonçalves, a entidade pretende implementar não só o processo de domesticação de novas espécies, mas também de espécies que já têm cadeias produtivas consolidadas. “Isso significa trazer processos de melhoramento genético, número de propágulos o suficiente para reflorestar grandes áreas e impactar não só o mercado de carbono, mas a indústria de produtos e processos", disse.
A coordenação dos projetos será acompanhada por um conselho diretor e supervisionada por um comitê técnico-científico composto por pesquisadores, cientistas e profissionais das empresas parceiras. O objetivo é adotar modelo de governança moderna e identificada com princípios de transparência e de compliance.

















